A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 09/03/2021

Na teoria do Contrato Social, Russeau afirma que o governo deve garantir as condições necessárias para a sobrevivência e a dignidade dos cidadãos. No entanto, essa realidade é utópica, já que as demandas não são atendidas totalmente, o que gera a necessidade do auxílio das Organizações Não Governamentais (ONG’s). Entretanto, faltam voluntários para realizar suas intervenções, tendo em vista a sobrecarga na vida pessoal e a ganância que se sobressaem em detrimento da solidariedade, o que deve ser revertido com o  aumento de pessoas dispostas a colaborar.

A priori, a sociedade atual desenvolveu uma continuidade de afazeres e ocupações, que emergem o ser humano na sua individualidade, sem tempo para se dedicar às atividades que não são prioritárias ou de urgente resolução. Nesse contexto, relaciona-se as reflexões sobre o individualismo e as relações sociais fluidas, de Zygmunt Bauman, em que as prioridades dificilmente são relacionadas ao aprofundamento de vínculos sociais ou solidários. Assim, o indivíduo tem relacionamentos superficiais e não tem tempo para voltar-se para o outro, mas só para si mesmo, o que causa doenças psicológicas pela autoimersão e ausência de atividades necessárias como exercícios físicos, contatos sociais e filantrópicos.

A posteriori, de acordo com a Teoria do Vazio Existencial, de Kant, o homem tem necessidade de preencher suas lacunas e, para isso, utiliza do acúmulo de bens materiais e capital. Nesse sentido, associa-se o individualismo à ganância, visto que o gasto de tempo e disposição deve sempre ser acompanhado de uma retribuição, conforme a mentalidade hodierna largamente difundida pela materialização e utilitarismo das situações e, até mesmo das pessoas. Dessa forma, majoritariamente, o voluntariado não é visto como algo vantajoso pela supervalorização monetária, apesar dos benefícios comprovados à saúde física e mental do filântropo, segundo uma pesquisa do Instituto Santa Fé, dos Estados Unidos.

Portanto, as ONG’s devem desenvolver comerciais televisivos de conscientização sobre a importância do voluntariado, tanto para quem recebe, quanto para aquele que doa. Além disso, nos anúncios deve ser divulgado um site, promovido pelo mesmo agente, com uma compilação de ONG’s organizadas por região e por eixo de intervenção. Nesses sites, a ajuda pode ser uma contribuição virtual, otimizando o tempo daqueles que não conseguem ajudar de outras formas, bem como na melhora da rapidez e facilidade na identificação de entidades a serem ajudadas, a fim de que todos descubram a vantagem de auxiliar, mesmo na ausência de retribuições e assumam suas reponsabilidades na articulação de uma nação mais justa.