A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 14/04/2021
No desenrolar do filme “Um dia perfeito”, são retratadas diversas ações que um grupo de ajudas realizaram para contribuirem com uma cidade que sofreu foi devastada, de forma que os moradores da cidade ficaram extremamente gratos. Entretanto, o contexto hodierno diverge da cinematografia, tendo em vista a negativa desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. Nesse sentido, esse fator, que deve ser combatido, provém não só do individualismo, mas também de uma falha educacional. A princípio, cabe observar a busca pelo ganho pessoal acima de tudo como a responsável pelo desprovimento de valorização dos trabalhos solidários. De acordo com o sociólogo Karl Marx, a priorização do bem pessoal em detrimento do coletivo incorre no aparecimento de inúmeros problemas para a sociedade. Desse modo, verifica-se que esse contexto se assemelha à contemporaneidade, tendo em conta que vários indivíduos, os quais enfrentam necessidades de receberem assistências sociais, como doações de alimentos básicos, não valorizam e raramente agradecem por essas boas ações, de modo a ocasionar a desmotivação das pessoas de continuarem a serem voluntárias. Logo, é inadmissível que esse nocivo cenário continue, uma vez que, devido à ingratidão dos indivíduos que recebem e apenas usufruem das ajudas, as circunstâncias de voluntariedade estão cada vez mais escassas. Ademais, convém ressaltar que, no ambiente escolar, existe uma carência na abordagem que valoriza os serviços de solidariedade. Tal fato ocorre, porque, a Base Nacional Comum Curricular não apresenta uma disciplina que aborde essa temática. Segundo o educador Rubem Alves, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, ou seja, podem proporcionar voos ou condições de alienação. Nesse contexto, os colégios funcionam como gaiolas, já que permitem que os estudantes permaneçam desprovidos de informações pertinentes sobre o quanto as ações de solidariedade são relevante, dado que elas contribuem para mudar a vida das pessoas, por exemplo, as que passam por grandes tristezas e que, nesses difíceis momentos, recebem atitudes de carinho e de amor. Consequentemente, essas situações conservam a danosa mentalidade de diversos jovens que deixam de agir de forma generosa por desconhecerem o grande valor desses atos para melhorarem o dia de outras pessoas. Portanto, compete ao Ministério dos Direitos Humanos - responsável pelos direitos nessa área - promover palestras, cujo tema seria “juntos para combater a falta de valorização das pessoas que realizam trabalhos voluntários”. Isso deve ser feito por meio das instituições escolares. Essa ação possui a finalidade de enfatizar o quanto o solidarismo é relevante e de reforçar que qualquer ação humanitária positiva, por mais simples que seja, pode contribuir para a manutenção da sociedade. Além disso, esse Ministério deve reforçar a relevância de ser grato ao receber uma ajuda.