A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 14/03/2021
Segundo o IBGE, em 2018, cerca de 7 milhões de brasileiros realizaram o trabalho voluntário,isto é, um trabalho que não visa fins lucrativos próprios.Embora seja uma conquista, verifica-se que diversos entraves em torno desse trabalho ainda são existentes, em especial no que concerne à desvalorização de tal. Nesse sentido, emerge um problema delicado em virtude da negligência legislativa e do silenciamento ao redor da questão, sendo fundamental desestrurar esse panorama em prol da valorização da atividade laboral voluntária.
Em primeiro plano, cabe apontar, por parte do Estado, a fragilidade de políticas públicas que valorizem o trabalho voluntário.A esse respeito, o filósofo Maquiavel defende que mesmo as leis bem formuladas são impotentes diante dos costumes.Ou seja, para que uma lei funcione é necessário mitigar as práticas errôneas do cotidiano.Nessa lógica, percebe-se que o ofício voluntário ainda não é valorizado, porque a legislação vigente não estimula-o, além de não buscar esclarecer a sociedade sobre ele, evitando, logo, a perpetuação de uma visão banalizada acerca desse trabalho no dia a dia social.Nesse contexto, enquanto as normas não estimularem as ações que visem o bem-comum sem interesses próprios por meio de uma conscientização, as práticas sociais voluntárias serão tratadas, muitas vezes, com indiferença.
Além disso, a invisibilidade contribui incisivamente para a perpetuação da problemática. Sob esse viés,o pensador Habermas alega que a comunicação é uma verdadeira forma de ação.Nessa perspectiva, para que a ação laboral espontânea seja tratada com uma relevância para a população, é importante debatê-la,aumentando as chances de atuação nela.Sob essa ótica, entretanto, o debate sobre esse tema ainda não é uma realidade, tendo em vista o desfoque dado a ele, por vezes, feito pelas mídias sociais-organizações responsáveis por transmitir a informação em massa- que acontece, geralmente, pela importância maior dada a assuntos de cunho capitalistas, o que é explicitado na “Indústria Cultural”, teoria que mostra a influência do capitalismo nas informações circuladas, de Adorno e Horkheimer.
Depreende-se, portanto, a necessidade de uma resolução para esse entrave. Posto isso, cabe ao Ministério da Cidadania formular uma campanha que estimule a valorização do trabalho espontâneo, com a finalidade de flexibilizar a posição atual das leis, bem como de instigar discussões sobre essa questão na população.Isso deve ser feito por meio do relato anônimo de trabalhadores voluntários, relatando a finalidade de seus ofícios, ainda assim, deve ocorrer a disponibilização dessa campanha em mídias sociais de grande acesso,como o Instagram para diminuir a “Indústria cultural”.