A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 16/03/2021
Émile Durkheim, expoente da sociologia, defende que a solidariedade é um aspecto inerente à sociedade. Todavia, o trabalho voluntário ainda é desvalorizado no Brasil. Assim, é importante discutir sobre fatores relacionados a esse cenário: a formação das pessoas e o papel estatal.
Sob essa perspectiva, para o filósofo iluminista Immanuel Kant, “O Homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Nesse sentido, cabe à escola discutir sobre o papel social do indivíduo. A esse respeito, é importante que trabalhos voluntários sejam entendidos pelos alunos como uma ação cuja retribuição transcende a uma remuneração financeira. De fato, alguns processos seletivos de empresas priorizam candidatos que participaram de ações sociais.
Adicionalmente, para Peter Drucker, expoente da administração moderna, “Não existe país subdesenvolvido, existe país subadministrado”. Nesse viés, cabe destacar que, embora a generosidade seja dos indivíduos, o auxílio do governo pode ser determinante para os resultados gerados. A exemplo disso, é comum estudantes universitários fornecerem voluntariamente aulas preparatórias para vestibulares a interessados que não conseguem pagar por cursos privados; no entanto, parte desses alunos têm dificuldade com os custos de transporte (subsidiado apenas para ensino regular).
Portanto, diante dos aspectos supracitados, medidas devem ser tomadas. Logo, urge que o Estado – na figura do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e Emprego -, por meio da criação de leis e decretos, a fim de ampliar e valorizar ações voluntárias positivas no Brasil, regulamente incentivos materiais e imateriais essenciais para os trabalhos em questão. Para isso, tais normas precisam: oferecer incentivos fiscais a empresas que priorizem a contratação de profissionais que tenham participado dessas atividades; exigir que escolas discutam sobre essas práticas. Com isso, a solidariedade proposta por Durkheim será favorecida.