A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 17/03/2021
A ONU - Organização das Nações Unidas - estabeleceu a Agenda Global do Desenvolvimento: 17 objetivos para estimular ações humanitárias globais até 2030. Todavia, a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil representa um obstáculo à meta proposta pela ONU, o que potencializa a desigualdade. Nesse viés, desconstruir o individualismo e a omissão do Estado são caminhos para promover a devida valorização das ações benevolentes.
Diante desse cenário, é válido ressaltar que a falta de empatia representa um empecilho ao voluntariado. Nesse contexto, no século XVIII, Adam Smith alegava que a benevolência impedia o progresso, e as nações apenas se desenvolveriam a partir da busca das suas ambições individuais. Contudo, séculos depois, a ideologia egoísta/meritocrática de Smith permanece no imaginário dos indivíduos, que rejeitam e não dão o devido valor às ações humanitárias justamente por conta da lastimável influência individualista. Assim, enquanto a meritocracia for imposta, infelizmente atos genuínos serão exceções.
Outrossim, é necessário incentivar o trabalho voluntário, principalmente em sociedades em que as ambições capitalistas são a regra. Nessa lógica, a partir de meados de 1980, o Brasil passou a adotar o neoliberalismo, movimento político em que o Estado deve se omitir intencionalmente para que as empresas privadas vendam serviços básicos, como saúde e educação. Entretanto, é incoerente essa prática em um país com uma desigualdade social alarmante, pois a população pobre é incapaz de pagar por benefícios, tal como impõe a lógica neoliberal. Logo, é evidente a relevância dos agentes voluntários para sanar a ausência estatal e garantir a subsistência familiar.
Portanto, é essencial valorizar as ações benevolentes a fim de reduzir as disparidades econômicas. Para isso, cabe aos próprios cidadãos participarem de atividades filantrópicas, por meio da distribuição de alimentos e serviços comunitários de saúde. Essa iniciativa social teria a finalidade de desconstruir o individualismo e de contestar a omissão do Estado na oferta de serviços públicos - que na teoria são direitos, mas estão sendo privilégios. Dessa forma, o Brasil será um país que cumprirá com a proposta da ONU e se tornará um local empático.