A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 17/03/2021

Ao final do século XX, em virtude das Guerras Mundiais e da Guerra Fria, houve o desenvolvimento exponencial da sensibilização com causas humanitárias, o que aumentou a participação cidadã optativa na resolução desses problemas. Em contrapartida, no Brasil contemporâneo, percebe-se que tal panorama de progresso não se instalou isento de desafios, visto que o voluntariado sofre com a ausência do crédito merecido, ameaçando a continuação dessas iniciativas. Dessa forma, torna-se imprescindível explicitar o impulsionador e a consequência do impasse: a carência de divulgação das formas de cooperação e o apagamento midiático que impacta a ajuda de marginalizados.

Diante desse cenário, é indiscutível que a baixa disseminação nas mídias de maior alcance é um sustentáculo central da falta de procura dos indivíduos para tornarem-se trabalhadores voluntários. Isso acontece porque o desconhecimento gerado por essa pouca frequência propagandista, que tem como propósito instigar motivação nos indivíduos, causa esquecimento nos possíveis adeptos ao auxílio facultativo. Nesse viés, o impacto pode ser explicado pela Neurociência, já que o cérebro humano desperta desejo a partir de estímulos contínuos, que o remetem a importancia de determinada ação. Assim, o desleixo com a disseminação informativa acerca desse movimento causa distanciamento da possibilidade de despertar o interesse popular, que geraria crescimento na aderência à causa.

Por conseguinte, esse abandono divulgativo desencadeia a escassez de participantes do trabalho filantrópico. Nesse sentido, cabe frisar que as organizações promoventes dessas ações são sustentadas pela mão de obra social, dependendo de seus voluntários. Comprova-se o tal ao analisarmos instituições como a “Médicos Sem Fronteiras”, que conta com a  colaboração de profissionais da saúde do mundo inteiro para atuação em lugares com condições subhumanas. Com isso, já que os governos vigentes nesses espaços -majoritariamente países subdesenvolvidos em crise- são ineficientes em lidar com as adversidades, essas organizações são as únicas amenizadoras de cenários deploráveis. Exemplifica-se esse quadro o filme “Hotel Ruanda”, no qual a ONU (Organização das Nações Unidas) socorre civis durante uma guerra civil ruandesa, no lugar do estado. Então, caso essas frentes auxiliativas tenham baixas, as civilizações atendidas serão, do mesmo modo, feridas.

Depreende-se, portanto, a urgência da resolução da problemática. É mister que a Redes Televisiva e os jornais, através de uma parceria com as ONG’s (Organizações não governamentais) nacionais, comprometam-se em surgir com campanhas divulgativas acerca do trabalho voluntário. Ademais, essas deverão abordar a necessidade pelas quais passam aqueles que serão beneficiados com o ato, visando conseguir a atenção do público e, consequentemente, sua iniciativa para agir perante às desigualdades.