A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/03/2021
O Brasil conta com 16,4 milhões de voluntários, o que corresponde a 11% da população total, de acordo com uma pesquisa realizada pelo G1 Globo. Esse percentual insatisfatório demonstra a grande desvalorização do trabalho humanitário na sociedade brasileira. Há muitas razões para justificar esse fato, dentre elas está a falta de incentivo para esse tipo de atividade nas escolas e a fragilidade das relações interpessoais na atualidade, percebida por Zygmunt Bauman. Portanto, medidas devem ser tomadas para reverter esse panorama dentro do país.
Nesse contexto, dentre os fatores desse problema, pode-se apontar o pouco estímulo à filantropia, especialmente nas escolas. Na série Gilmore Girls, retratada nos Estados Unidos, a personagem Paris realiza trabalhos voluntários desde a sua juventude, devido ao fato de que eles são muito valorizados dentro do currículo por faculdades conceituadas no país. É possível perceber como o incentivo a essa forma de ajuda humanitária é essencial e pode ser impulsionada através de projetos sociais nas escolas. Portanto, essas instituições têm o papel de eliminar o desprestígio aos serviços altruístas e promover a valorização destes.
Além disso, a vulnerabilidade das relações interpessoais na atualidade é um fator que agrava a depreciação do trabalho voluntário. Como analisado pelo filósofo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida se constitui de forma que aqueles que podem ajudar os outros se contentam com o que têm e não prestam atenção no que podem dar. Nessa perspectiva, as relações líquidas, como conceituadas pelo polonês, impedem que as pessoas assumam o compromisso de auxiliar os seus próximos, por não enxergarem a recompensa imediata que provém desse exercício. Dessa forma, é necessário que essa pensamento seja transformado e os brasileiros se tornem mais humanitários.
Destarte, tendo em vista a importância do trabalho voluntário na sociedade e sua atual desvalorização no panorama brasileiro, urge que medidas sejam tomadas. Cabe às escolas - públicas e privadas -, as quais compõem uma das principais instituições formadoras do indivíduo, a execução de projetos humanitários que levem os jovens a se interessar e a praticar esses tipos de atividade dentro de suas comunidades. Isso deve acontecer para que o número de voluntários e filântropos cresça no Brasil e a sociedade se torne mais justa.