A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 26/03/2021

A máxima do ativista político Martin Luther King, de que temos o poder de decidir praticar o altruísmo construtivo ou o egoísmo danoso, retrata de maneira análoga a importância do trabalho voluntário para o desenvolvimento do corpo social. Entretanto, é incomum, no Brasil hodierno, o exercício das atividades humanitárias, seja por falta desvalorização dada pelo ensino nacional, seja por ausência de incentivos privados. Destarte, é imprescindivel a reversão desse “mal do século”.

É lícito postuluar, de início, que é comum a escassez da educação voltada para a valorização de trabalhos voluntários. Análogo ao filósofo iluminista Immanuel Kant, o homem não é nada alem daquilo que a educação faz dele, indicando a relevância da troca de valores para a construção de novos hábitos. Sob essa ótica, as instituições escolares do país, ao prezarem apenas pela transmissão de conteúdos voltados para a inserção do jovem no mercado de trabalho, não incentivam os discentes a praticarem esses atos altruístas como atividades extracurriculares, isto é, esses estabelecimentos não incentivam as crianças a regularmente voluntariar-se em prol das questões humanitárias. Dessa maneira, a neutralidade das escolas age como agente motivador para esse embróglio.

Outrossim, é imperioso ressaltar que, a maior parte das empresas privadas que atuam no território nacional não incentivam o espírito cívico dos funcionários para atos voluntários. Evidenciando o supracitado, o seriado televisivo “Modern Family”, ao retratar a trajetória profissional da americana Alex, ratifica como a prática da filantropia auxiliou a personagem no ambiente trabalhista. Nesse sentido, ao desmerecer curriculos que apresentem esses feitos, as firmas desestimulam os funcionários a estabelecer rotinas com essas práticas caridosas, já que estes poderiam focar apenas em ações que trariam benefícios no meio de trabalho. Portanto, a desvalorização mostrada pelas companhias particulares mostra-se, por dedução analítica, como propagadora desse empecilho contemporâneo.

Frente a essa realidade, urgem-se medidas para mitigar a desimportância dada ao trabalho voluntário na nação verde-amarela. Nesse prisma, compete ao ministério da educação, inserir no ideário do corpo social, por meio de atividades multidisciplinares, a relevância desses atos sociais, a fim de perpetuar esse hábito na rotina da população. Paralelamente, é imprescindível que as empresas privadas valorizem mais, por meio de campanhas e incentivos trabalhistas no ambiente corporativo, os atos altruístas, com o fito de estimular cada vez mais os funcionários. Assim, garantir-se-á o desenvolvimento social defendido por Martin Luther King.