A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 26/03/2021

Nos últimos anos, o número de pessoas que realizam trabalho voluntário aumentou bastante no Brasil. No entanto, de acordo com pesquisas do IBGE, o número de voluntários ainda corresponde a menos de 5% da população brasileira, o que demonstra um desapreço por esse tipo de ação. Essa desvalorização é causada principalmente pelo “egoísmo” disseminado pela sociedade, além do pouco efeito que essas ações parecem ter nos problemas sociais. Diante disso, deve-se analisar o cenário para mudar a situação.

Em primeiro lugar, o individualismo exacerbado é definitivamente o maior dos problemas. Sob o ponto de vista de Émile Durkheim, sociólogo francês, uma sociedade não pode existir se suas partes não são solidárias. Dessa forma, essa falta de preocupação com o resto da “comunidade”, incentivada pelos pensamentos de que “todos são adversários” (no âmbito escolar e em outros momentos da vida), faz com que boa parte das pessoas não tenha empatia, ficando alheias aos problemas coletivos. Portanto, é perceptível o obstáculo que isso é para a popularização do voluntarismo.

Em outro plano, intensificando a já existente falta de solidariedade, há a “falta de impacto” do voluntariado no panorama social. Apesar do enorme esforço de muitas pessoas, quase não se reduzem as problemáticas no país. Isso é devido à condição atual do país, em que tanto a política quanto ao público indiferente à “causa” fazem com que a situação se perpetue, qualquer que seja o estorvo. Por exemplo, apesar do intenso combate à pobreza e à poluição de rios e igarapés, quase não se fez progresso nesses quadros, desencorajando os voluntários.

Notam-se, portanto, as intensas atribulações associadas à questão e a necessidade de se reverter o contexto. Desse modo, é necessário que as instituições educacionais(e consequentemente, o MEC), em conjunto com os pais, introduzam gradativamente a forma coletiva de pensar nas crianças, para que seja evitada essa “indiferença” atual aos problemas sociais. Ademais, também é necessário mudar a administração do Estado, que atualmente perpetua as condições precárias de parte do país, para que aos poucos as complicações sejam resolvidas e a sociedade consiga, por fim, que não haja um “trabalho” voluntário, mas sim um estilo de vida comum.