A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/03/2021
Na obra literária “Zoológico de Varsóvia” de Diane Ackerman, é descrita a história de um casal polonês que se encontra no cenário beligerante da Segunda Guerra Mundial. Apesar do momento intenso, a família mantém sua humanidade e inicia o acolhimento de judeus e até mesmo a proteção de animais que seriam assassinados durante o período de Guerra. Nesse sentido, a narrativa foca em questões de empatia e generosidade em situações extremas e delicadas. Fora da ficção, é fato que tal apresentação relaciona-se a contextos contemporâneos. Em ponto de conflito, no cenário nacional hodierno, destaca-se negativamente a desvalorização e falta de visibilidade do trabalho voluntário. A ascensão de preceitas individualistas e a monetização do tempo crescente nos últimos anos, corroboram marjoritariamente para a queda de ações voluntárias np Brasil. Assim, torna-se necessário o debate acerca do diminuto número de trabalhadores voluntários brasileiros e sua relação diretamente proporcional ao níveis de desenvolvimento dos países.
Em primeiro lugar, com o avanço dos tempos e desdobramentos das Revoluções Industriais, o mundo tornou-se mais individualista e propriamente egoísta. A noção do “eu” se projeta acima de conceitos coletivos e revela facetas pouco evoluídas na vida em sociedade. Assim, os seres humanos modernos pouco se sensibilizam com os problemas ou dores do outro, fator este que escancara e justifica os decrescentes coeficientes de voluntários sociais. Dessa maneira, a insensibilidade e a fluidez das relações grupais evidenciam e fundamentam a queda do voluntariado do Brasil.
Por conseguinte, semelhante ao pensamento de Zygmunt Bauman, presenciam-se tempos líquidos. O imediatismo e a significação de que “tempo é dinheiro”, provoca o princípio de concentrar os esforços em benefícios próprios, escanteando as necessidades do outro e internalizando nas gerações em desenvolvimento, bases do egocentrismo e ausência de empatia. Paralelamente, esse é o um dos diagnósticos do aumento da carestia de ajuda voluntária em domínios brasilienses.
Portanto, é mister que providências sejam tomadas para resolver o impasse interno. Para a conscientização da população sobre o quadro atual, o Ministério da Economia e o Ministério da Educação, principais órgãos de administração e instrução nacional, com o objetivo de propor palestras com pautas filantrópicas e humanitárias sobre o voluntariado no contexto tupiniquim. Além disso, as escolas brasileiras devem integrar em seu eixo curricular, cargas horárias de ajuda a comunidades carentes ou assistências a pessoas nos aspectos como educação e saúde visando assim o contato dos jovens com realidades escassas e pouco abastadas do país. Somente assim, será possível vencer o decréscimo das atividades de caráter altruísta do Brasil.