A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 23/03/2021

Trabalho pode ser definido como uma atividade ou um conjunto de atividades realizadas por um indivíduo com determinado objetivo e esforço. É comum que tal conceito seja relacionado preliminarmente com uma profissão a qual se é pago para exercer, entretanto uma forma de trabalho que não é nova, mas incomum, é o trabalho voluntário. No Brasil há, atualmente, um desprestígio em relação a essa prática - na qual não há remuneração - , tal desvalorização é uma consequência direta da ausência de aspectos governamentais que visem a fomentação do voluntariado, assim como a singular relação social estabelecida na atualidade.

A análise da imperícia estatal sobre o trabalho voluntário é de substancial importância considerando sua essencialidade na atividade em questão. Baseando-se na Lei 9608/1998, o trabalho humanitário tem por objetivo fins cívicos, culturais e educacionais, por conseguinte o Estado tem responsabilidade no estímulo a prática, não obstante o mesmo carece de condutas que aspirem a igualdade social, fato esse que implica na escassez do voluntariado. Com a falta de direitos básicos e os altos índices de pobreza a população brasileira encontra-se enfrentando um empecilho quando se trata de realizar o voluntariado: a necessidade de adquirir renda através do trabalho com o intuito de sobreviver. Tal circunstância logo opõe-se ao ideal filantrópico da atividade humanitária que é ofuscado pela procura de recursos financeiros. Torna-se, pois, plausível associar uma parcela da causa da desvalorização do trabalho voluntário à insuficiência das medidas governamentais, resultando em índices ínfimos de voluntariado (cerca de 3,3% da população o fazem segundo dados do IBGE).

O trabalho humanitário também sofre um grande efeito do corpo social, ou seja, da forma particular de convívio entre pessoas. Como retratado por George Orwell em “A revolução dos bichos” o ser humano apresenta ocasionalmente uma postura mais egoísta, com uma desmedida ambição por poder. Em outros termos pode-se dizer que o desmoderado individualismo proporciona uma indiferença do pensamento humano sobre o trabalho filantrópico, uma vez que a sociedade comumente não associa tal prática a nenhum benefício próprio, fazendo com que haja o desabono da mesma. Tais fatos podem ser sintetizados satisfatoriamente na frase de William Shakespeare: “Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.”.

Independentemente das adversidades na realização do trabalho voluntário é fundamental que se haja o incentivo do mesmo. É premente a elaboração de propostas que mostrem o proveito dessa ação, como a inclusão da prática ao currículo do indivíduo, favorecendo-o em seu futuro profissional tal qual o investimento na educação que é primordial para garantir uma relação social benevolente.