A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 23/03/2021

Segundo E. Durkheim, a transformação no modo de produção sofrida pelas sociedades capitalistas se propagou no âmbito da moral e das tradições, que perderam sua força como fator de coesão social. Nesse momento, criou-se um estado anômico, em que os indivíduos deixam de ter a sociedade como referência e passam a agir baseados em seus interesses. Esse fato, aliado à falta de incentivo por parte das instituições, explicam a desvalorização enfrentada pelo trabalho voluntário no Brasil.

Em primeiro plano, é importante analisar que a ausência de incentivo por parte das instituições é um dos principais fatores associados a tal desvalorização. De acordo com a Teoria da Anomia de Durkeheim, em virtude da solidariedade orgância existente na coletividade, as relações sociais presentes entre os indivíduos fundamentam-se na interdependência gerada pela especialização do trabalho. Sendo assim, por conta dessa imparcialidade nas interações, o trabalho voluntário no Brasil não é estimulado, sendo, portanto, pouco frequente.

Outro ponto importante, é o comprometimento da coesão social brasileira, causado pelas constantes crises econômicas e escândalos de corrupção política. De acordo com o Datafolha, mais de 60% dos brasileiros não confiam nas decisões do governo. Tal dado explicita o enfraquecimento do sentimento de nacionalidade na população, provocando na sociedade uma desarmonia, pois o Estado perde seu papel de moderador e disciplinador. Assim, a importância das relações de empatia e solidariedade entre os habitantes acaba sendo depreciada.

É possível perceber, portanto, a necessidade da estimulação de ações voluntárias pelo Estado, através da divulgação da sua importância por meio das redes sociais, a fim de incentivar, sobretudo, os jovens. Aliado a isso, as escolas devem promover programas pedagógicos relacionados aos trabalhos voluntários, para despertar uma maior empatia nos estudantes. Apenas com tais ações será possível construir uma sociedade em que os indivíduos se vejam dentro da coletividade e não como uma parte a ela.