A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 24/03/2021

O filme “Um senhor estagiário” retrata o empenho de um ancião ao prestar serviço espontâneo a uma empresa de tecnologia, destacando sua afeição por ajudar o próximo. Não obstante, a realidade brasileira percorre caminhos díspares da ficção, visto que o trabalho voluntário é, cada vez mais, desvalorizado entre o povo tupiniquim. Logo, destaca-se que sua causa advém do modelo econômico capitalista, gerando falta de empatia.

Nesse viés, vale salientar que o capitalismo é um fator preponderante associado à desvalorização da filantropia. Nesse ínterim, os indivíduos são movidos a partir de estímulos econômicos, pois o ter é mais prestigiado que o ser, ou seja, a sociedade estima os bens materiais, o status e o poder, sem se preocupar com o próximo. Sob esse prisma, é fulcral mencionar o ideal de Karl Marx “O capital é o motor da sociedade”, explicitando a ideia de que apenas as posses materiais acionam as classes. Observa-se, então, a influência do materialismo histórico sobre o trabalho voluntário, no Brasil, fomentando o cenário de desvalorização.

Por conseguinte, essa conjuntura motiva a falta de empatia entre os brasilienses, visto que o trabalho voluntário é fruto de tal sentimento. Assim, vários fatores sociais são abalados, como o bem-estar social, saúde e segurança pública. Ademais, é imperioso destacar o papel das redes sociais nesse panorama, pois os indivíduos apenas realizam trabalhos voluntários a fim de expor na internet e valorizar sua imagem perante os internautas ou ganhar algum benefício próprio, sem, realmente, apreciar as ações benéficas dos serviços. Nesse espectro, é imperioso citar o livro “Ps:ainda amo você”, de Jenny Han, ao mostrar que a protagonista se voluntaria a trabalhar em um asilo, com o único objetivo de melhorar seu currículo para a faculdade, mostrando a falta de empatia genuína em cuidar de idosos. Destarte, a desvalorização da filantropia afeta várias camadas da sociedade canarinha, destacando a falta de benevolência entre seus membros.

Nessa perspectiva, medidas são necessárias para combater esse impasse. Portanto, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Educação, promover campanhas e projetos, em ambientes escolares e universitários. Isso será feito por meio da inclusão de atividades que exercitem a empatia e bom senso na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) tanto na educação infantil quanto na fundamental, incluindo a presença de psicopedagogos especialistas no assunto e garantindo o apreço, desde cedo, por trabalhos voluntários. Desse modo, realizar-se-ão tais ações, a fim de romper com o ciclo capitalista de egoísmo, mitigando a desvalorização da filantropia e aproximando a realidade brasileira do filme “Um senhor estagiário”.