A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 26/03/2021

A série “Eu nunca” retrata a vida de estudantes que lutam por uma vaga em universiades americanas, aderindo ao trabalho voluntário para melhorar seu currículo e engrandecendo tal atividade. No entanto, o cenário brasileiro é oposto ao da ficção, visto que a desvalorização da filantropia é nítida perante à sociedade. Esse quadro é motivado tanto pelo individualismo quanto pelo altruísmo, no Brasil.

Nesse sentido, o trabalho voluntário é menos reconhecido, à medida que imediatamente ele não traz benefícios próprios para quem pratica, e acaba sendo, muitas vezes, tratado como algo menos importante que uma atividade remunerada, por exemplo. À vista disso, Bauman na teoria da sociedade líquida discute sobre a fluidez das relações sociais atuais, as quais demonstram o mínimo vínculo afetivo e se constroem com base em interesses próprios. Em suma, aglutinando a obra de Bauman, o voluntarismo também se torna fraco, pois para se fortalecer seria necessário um corpo social unido e ciente das dificuldades, o que não acontece no Brasil, sendo uma das causas de  baixa frequência de voluntários no país.

Outrossim, a ação do voluntário torna-se algo utópico no país, pois devido a esses entraves de conhecimento da ação, isso devido, principalmente, a um histórico do brasileiro de ser “involuntário”, ou seja, o indivíduo exerce uma ação, a princípio espontânea, porém ao analisar o fito dela encontra-se o benefício próprio, a exemplo de político, que em períodos eleitorais participam desse mecanismo a fim de melhorar sua imagem com o eleitorado. Em vista disso, Kant na teoria do Imperativo categórico defende a tese de que o indivíduo deve basear suas ações no que é realmente certo, sem levar em conta punições ou ganhos pessoais. Logo, em consonância com a obra Kantiana, no Brasil acontece ao contrário, não é instruído no ser uma vontade de ajudar o outro espontaneamente, ou seja, enquanto a força motora dos atos se basear no egoísmo não se chegará na plenitude do voluntarismo.

Portanto, diante da preocupante escassez de valorização do trabalho voluntário, cabe ao Ministério da Educação, responsável pela qualidade educativa dos brasileiros, incentivar as escolas a organizarem campanhas de solidariedade, por meio da participação voluntária dos estudantes e com o auxílio dos influenciadores digitais para maiores divulgações. Dessa forma, a finalidade é construir uma geração mais solidária e com histórias semelhantes a da série “Eu Nunca”.