A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 30/03/2021
Consoante Pitágoras – filósofo grego, expoente do pensamento ocidental –, devem-se educar as crianças para não haver a necessidade de futuramente se punirem os adultos. O aforismo desse filósofo traduz com clareza o que seriam as bases para que o Brasil seja hoje um dos países com tão baixas taxas de população percentual engajada em trabalhos voluntários, sendo que a culpa desses números reside enormemente sobre as instituições de educação tanto básica quanto superior, que, devido à ineficácia de seus processos de ensino, não contribuem para a valorização dessa forma de trabalho em território nacional.
Em primeiro plano, o trabalho voluntário é muito pouco incentivado por parte das escolas brasileiras de ensino básico. O fato é que, no contexto do cenário nacional de educação, as instituições escolares pouco investem seu poder de ensino no incentivo ao espírito de empatia em seus estudantes e, consequentemente, na promoção do trabalho voluntário. O que ocorre, na verdade, é que as instituições escolares baseiam suas grades curriculares nas grades dos certames de seleção para o ensino superior, o que gera como consequência o privilégio que as instituições escolares dão ao ensino de conteúdos em detrimento da formação social do aluno. Destarte, as escolas deixam de exercer o papel de formação social que lhes incumbe ao não darem valor, por exemplo, a esse tipo de trabalho.
Outrossim, as universidades brasileiras também desempenham um papel ímpar ao não valorizarem o trabalho voluntário. Países desenvolvidos, como os Estados Unidos e o Reino Unido, selecionam especialmente para suas universidades os alunos que tenham horas de trabalho voluntário acumuladas em seus currículos, haja vista que, dessa forma, suas instituições nacionais de ensino básico passam a valorizá-lo como forma de também aceder a instituições de ensino superior. No Brasil, porém, essa política não se faz presente nas faculdades, o que decerto contribui para que o trabalho voluntário não tenha tanta visibilidade nacional quanto ele a tem em países desenvolvidos.
Com base no supracitado, percebe-se que é por meio do sistema educacional deficitário que o aforismo de Pitágoras explica com tanta precisão o porquê de o trabalho voluntário não ter tanta visibilidade no Brasil. Destarte, a fim de se iniciarem medidas de valorização desse tipo de trabalho em território nacional, instituições universitárias devem passar a exigir horas acumuladas de trabalho voluntário no currículo de seus alunos, para que, dessa forma, este passe a ser automaticamente valorizado nas instituições educacionais do país, que deverão contar também com incentivos do Ministério da Educação na promoção de palestras escolares que visem à promoção do sentimento de empatia nos estudantes.