A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 29/03/2021
Historicamente, a população brasileira clama pela asseguração de direitos fundamentais, como fala a historiadora Lília Schwarcz. Assim, o trabalho voluntário, ao passo que mitiga a problemática, sofre grande desvalorização no país. Destarte, pode-se apontar duas causas disso: falta de condições materiais de ajudar, de pessoas pobres, e de consciência social para fazer o mesmo, de pessoas com melhor condição.
Em primeira análise, lembra-se que a Constituição Federal, apesar de garantir direitos sociais, falha em criar mecanismos para fazê-lo. Para piorar, governantes raramente se interessam em prover serviços públicos de qualidade, o que cria um processo de exaustão da população, que de forma continuada é preterida de políticas a que tem direito, Nesse contexto, dificulta-se o engajamento de pessoas nessas condições no voluntariado, já que, em verdade, necessitam dele.
Outrossim, as parcelas da sociedade que contam com condições para ajudar em atividades do gênero não têm a consciência da dimensão que tem o impacto desse tipo de trabalho. Destarte, como mostram relatos dos Médicos sem Fronteiras, também existe um retorno profissional e, mais importante, emocional e espiritual, em doar tempo e mão de obra para fazer a diferença na vida de outras pessoas.
Portanto, com vistas a mitigar a problemática em questão, propõe-se que o Ministério da Educação crie, por meio de portaria, programas de voluntariado em escolas públicas federais e particulares, promovendo o engajamento de jovens com mais condições em atividades que ajudem comunidades carentes próximas às instituições de ensino. Assim, aproveitar-se-á pessoas que podem participar de trabalhos do gênero e, ainda, criar-se-á a consciência e responsabilidade social nos futuros cidadãos, formando uma geração que valoriza a prática voluntária.