A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 25/03/2021

Trabalho voluntário é definido como uma série de iniciativas não remuneradas, com objetivos altruístas. Entretanto, no Brasil, tal prática se encontra em desvalorização, visto que apenas 4,6% da população realizam-na. Com isso, torna-se necessária a análise dos obstáculos da sua compactuação com a sociedade, bem como sua importância para o País.

Em primeiro plano, é preciso evidenciar a relevância do trabalho voluntário na resolução de problemas sociais brasileiros. O Brasil apresenta um histórico de desigualdades e mazelas sociais, como a questão da fome, falta de acesso à moradia e condições sanitárias inadequadas; além das chamadas populações vulneráveis- moradores de rua, mulheres vítimas da violência doméstica, a comunidade LGBTQIA+, negros, entre outros- que também merecem destaque. Tais indivíduos dependem da atuação do Estado, que frequentemente se mostra negligente, sendo assim, surge o voluntariado como tentativa de suplementar as ações do poder público.

Ademais, analisar as os reveses do trabalho voluntário no Brasil é importante para entender o porquê da sua desvalorização. O primeiro obstáculo é a tendência ao egocentrismo, criticado em “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, onde defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo, tendo como consequência a falta de empatia. Ainda há a questão da sociedade capitalista, onde a partir do momento que objetifica o indivíduo, faz com que ele se reconheça como um mero produtor, e não como membro social, objetivando sempre um lucro financeiro. Por último, vem a questão da desinformação, estereotipação do trabalho e um certo preconceito contra os alvos do projeto, o que impede a participação de uma parcela da sociedade.

Logo, medidas são necessárias para tornar o voluntariado uma prática valorizada. Para isso, o marketing social é essencial; o Ministério da Cidadania, em parceria com os veículos midiáticos, deve fazer campanhas com o intuito de promover, incentivar, popularizar e divulgar o trabalho voluntário. Juntamente, as próprias escolas devem criar iniciativas humanitárias dentro da grade, ou seja, criar o hábito do voluntariado, que se implanta no indivíduo na juventude e se perpetua ao longo da vida. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.