A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/03/2021
De acordo com dados da UNICEF, no Brasil, foram registradas 180 mil solicitações de refúgio temporário por venezuelanos, entre 2015 e 2019. Sob esse contexto, foram montadas frentes voluntárias de ajuda social nos estados onde ocorreram os maiores índices de migração. Tais fatos caracterizam o trabalho voluntário como um fator crucial quando se trata de crises sociais. Dessa maneira, duas medidas diretas devem ser realizadas para o desenvolvimento do trabalho voluntário: a conscientização da população em relação a importância do trabalho voluntário, e a capacitação desses voluntários por meio do apoio governamental e filantrópico.
“Se podemos contar uns com os outros, não precisamos depender de mais nada”. A afirmação do filósofo Richard Rorty leva a reflexão sobre a capacidade que a união de esforços tem de levar ao bem-estar coletivo. Se baseando nessa prerrogativa, é notória a ausência da participação escolar no que tange a conscientização dos indivíduos a respeito da importância de se voluntariar. Tal inexistência é reflexo direto de uma falta de empatia estrutural, que deve ser combatida com medidas cabíveis desde a formação básica dos cidadãos.
Ademais, a participação ativa de ONGs, investidores e idealizadores atuando em conjunto com órgãos governamentais, é de suma importância para a realização competente e otimizada dessas ações. A partir dessa visão, situações como a desistência de voluntários por falta de organização, logística, segurança e carência de informações serão evitadas. Outrossim, a participação de instituições deve seguir o intuito inicial do trabalho voluntário: ações sociais e comunitárias não remuneradas; exigindo assim, uma seleção rígida de apoiadores, para evitar a autopromoção e obtenção de lucro por pessoas que se aproveitam da situação.
Para a concessão dos argumentos supracitados, urge que o Ministério do Desenvolvimento Social e combate à Fome, em conjunto com o Ministério da Educação, assegure a passagem dos ideais de beneficiamento coletivo e delimite as condições dignas aos trabalhadores voluntários. Tal ação pode ser concedida por meio de um projeto de lei que atue desde as escolas até a fiscalização visa evitar o desrespeito dos ideais voluntários. A somatória dessas medidas auxiliará os esforços desses trabalhadores a ser tornarem, “o outro com que se pode contar”, afirmando o conceito apresentado por Richard Rorty.