A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 24/03/2021

O trabalho voluntário é definido pela prestação de serviço sem a intenção de lucro ou remuneração, visando objetivos de caráter social. Mesmo sendo uma prática nobre, e que traz inúmeros benefícios tanto a quem pratica quanto à comunidade, esse tipo de ocupação ainda sofre uma crescente desvalorização pela sociedade brasileira. Tal fato ocorre, principalmente, por conta da falta de incentivos Estatais e a fragilidade das relações sociais na contemporaneidade.

Observa-se, em primeira instância, que diferentemente do que ocorre em países desenvolvidos, no Brasil, horas de trabalho voluntário não tem peso significante no currículo acadêmico, por exemplo. Com isso, o desinteresse em serviços sociais parte não só do indivíduo que deve praticá-lo, como também das demais instituições Estatais, que não o valorizam apropriadamente. Nesse sentido, é incontestável a relevância das ações do governo ao difundir essas atividades à população.

Cabe reconhecer, no entanto, que no contexto social vigente há uma falta de empatia cada vez mais presente nos cidadãos. Isso porque, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade traz consigo uma fragilidade dos laços humanos que estimula desejos conflitantes de estreitá-los, mas ao mesmo tempo afrouxá-los. Logo, constata-se que a falta de interesse ao voluntariado provém da liquidez dos indivíduos com relação às suas emoções e vontades.

Depreende-se, portanto, a necessidade de traçar um plano para aumentar o número do voluntariado do país. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação incluir, na grade curricular do Ensino Médio, horas de trabalho voluntário aos jovens. Além disso, a promoção de campanhas de divulgação de tais serviços pelo Ministério da Cidadania é essencial para despertar o interesse nos demais grupos sociais, e mantê-lo naqueles que já praticam. Logo, será mais comum a realização desses atos solidários entre a população brasileira, sendo-lhes atribuída a valorização merecida.