A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/03/2021
O trabalho voluntário se tornou muito presente no cotidiano brasileiro, inclusive diante de situações de calamidade, a exemplo da tragédia de Brumadinho em 2019, ocasião em que centenas de pessoas se mobilizaram com o intuito de ajudar os que precisam. Porém, essa prática de trabalho voluntário é muito desvalorizada no Brasil, por conta de alguns indivíduos que não têm nenhuma empatia, e que são incapazes de qualquer gesto de generosidade aos necessitados. Esse tipo de comportamento é resultado da desigualdade social que é presente no cotidiano de muitos.
Em primeiro lugar, não há dúvida de que o governo é a principal razão pela qual o trabalho humanitário é vital. Segundo o pensador Thomas Robbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, mas isso não acontece no Brasil, sendo necessário que os próprios cidadãos se solidarizem com determinada causa, para que possam tentar sanar o problema vivenciado. Além disso, geralmente, o valor que deveria ser usado para serviços sociais é desviado para uso pessoal dos governantes, tornando-se preciso de uma ajuda comunitária.
Ademais, segundo os dados do IBGE, 7,2 milhões de pessoas realizaram atividades trabalho voluntário, o que corresponde a 4,3% da população do País. No entanto, quando as pessoas sabem que as relações sociais e interpessoais estão se tornando cada vez mais frágeis atualmente, um obstáculo pode ser estabelecido. Assim sendo, deve-se destacar que o comportamento altruísta de certas pessoas que respeitem os direitos humanos é um dos fatores que aumentam o número de voluntários no Brasil. Porém, ainda há uma valorização do trabalho altruísta, por conta de ensinamentos errados desde pequenos impregnados na cultura brasileira.
Portanto, fica claro que o trabalho voluntário é muito popular na sociedade e que medidas devem ser tomadas para continuar beneficiando a população e valorizar desses trabalhadores. Logo, dependendo das necessidades de cada situação, o estado tem a responsabilidade de investir em projetos que visem melhor direcionar essas ações sociais e utilizar recursos financeiros para a assistência. Como a filósofa Hannah Arendt falou, “Quem habita este planeta não é o Homem, mas os homens. A pluralidade é a lei da Terra”.