A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 30/03/2021
A realização de trabalho voluntário é, sem dúvida alguma, uma das ações mais enobrecedoras do indivíduo, justamente por isso se mostra como uma característica exaltada por diversas culturas anciãs ao redor do mundo, como vê-se no Budismo, que tem na caridade seu principal pilar. Apesar dessa face a atividade vêm apresentando cada vez mais certa alienação da população, seja pela formatação da sociedade ou pelo próprio egoísmo pessoal. Por esses motivos se mostra necessário um reconhecimento sobre os porquês de tal desprezo e a que males ele pode levar.
Um ponto decisivo à inferiorização do trabalho não remunerado é o modelo organizacional capitalista de que dispõe-se hoje. Isso se dá pois em tal padrão é rotineiro que a população, cada vez mais encurralada entre a falta de tempo proporcionada pelas exaustivas jornadas de trabalho e a escassez em capital disponível, não disponha, ou creia não dispor, do necessário ao voluntariado. A exemplo pode ser citado que a região Sudeste, aonde o processo econômico já é o mais desenvolvido, foi a que apresentou mais acentuada diminuição na carga horária em trabalho altruísta no Brasil, possuindo uma queda de 0,3 horas por semana segundo o IBGE. Vale destacar ainda que em países emergentes essa tendência é ainda mais forte, visto que ainda estão na fase mais bruta do capitalismo.
Ao analisar o problema de outra perspectiva, fica claro que não é o bastante atribuir apenas ao sistema o peso da decrescente caridade. Tal incapacidade provém do fato de que, apesar do homem ser em parte produto do meio, também é possuidor de discernimento próprio para suas ações, e é nesse aspecto que a nação verde-amarela está mais pecando. A crescente do egoísmo tem raízes diversas, essa que se mostra com o esquecimento dos valores empáticos e a origem de uma população cada vez mais egocêntrica e despreocupada com o outro, causa tão forte no Brasil que o escalou a país mais egoísta da América do Sul pelo ‘‘Instituto CAF’’. Esse talvez seja o de mais difícil resolução dos problemas, visto que se origina e manifesta no seio da humanidade, na educação social.
Partindo da reflexão dos expostos, fica perceptível que o problema da alienação ao outro pode ser descrita como uma mazela social, tendo como carga uma série de prejuízos sociais ao meio. No entanto sair desse quadro é possível,uma vez que por meio de uma série de exposições por ONGs e fundações, seja aflorado nos indivíduos a compaixão e, também, esses sejam informados do quão essencial pode se mostrar sua contribuição ao próximo. Tomando esse rumo a sociedade se formaria num exemplo digno de uma gama de filosofias e religiosidades, além de seguir as palavras de Gandhi, uma das maiores almas que o mundo já experenciou ‘‘Não há caminho para a paz, a paz é o caminho’’.