A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 24/03/2021
O ato espontâneo de ajuda por meio de recursos físicos ou emocionais possui notória importância para o progresso moral da humanidade,visto que a caridade é a efetiva prática da soliedariedade,que por sua vez é fomentadora da integração social e reconhecimento dos indivíduos como pertencedores de uma mesma instância,mesmo que em realidades distintas.Apesar de sua relevância,trabalhos voluntários são constantemente inferiorizados por visões opostas à seus princípios,fato que impacta abruptamente o funcionamento ético da comunidade.
Entrega de cestas básicas,auxílio médico pro bono e distribuição de produtos alimentícios constituem parcela relativa da totalidade de trabalhos voluntários praticados por organizações sem fins lucrativos,que atuam em escala local-como o grupo social Semeadores de Esperança- e global-como a organização humanitária Médicos sem fronteiras-.Apesar de apoiados moralmente,ações voluntárias ocupam posição desprestigiada sob visão políticaeconômica mundial,visto que essa adota dogmas capitalistas voltadas para o lucro,que opõem-se fortemente à práticas gratuitas em prol da caridade.
A defasagem de programas voluntários devido à falta de suporte financeiro,causam não só seu progressivo decrescimento no cenário global mas também a banalização de princípios humanitários como a empatia,altruísmo e generosidade.Deficiente de tais características,a sociedade desenvolve-se sob valores materiais e os indivíduos perdem a capacidade de conectar-se,como semelhantes,fomentando-segundo o sociólogo Émile Durkheim-o fenômeno da anomia social.
Em prol da devida valorização do voluntariado,é de suma importância que haja,respectivamente,a desconstrução da visão capitalista acerca das relações sociais e auxílio estatal técnico em projetos de cunho humanitário.De forma síncrona à valorização da caridade,deficiências estruturais,como a fome e miséria,irão regredir e impulsionará a gradualmente a conquista da equidade social.