A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 29/03/2021

“Eu aprendi a vida é um jogo, cada um por si e deus contra todos”, o trecho da banda Titãs retrata o individualismo intrínseco na sociedade brasileira. Saindo da ficção, observa-se que essa afirmação é verdadeira, ao passo que o trabalho voluntário enfrenta dificuldades quanto à quantidade de adeptos, o que configura uma sociedade individualista. Nesse viés, o voluntarismo é algo a ser explorado no Brasil, mas têm dificuldades, como o individualismo e a falta de perspectiva para praticantes e receptores. Dessa forma, é notório que o corpo social brasileiro é instruído desde a infância à competição, por meio da educação excludente e influenciadora de aspectos, como a meritocracia.

De início, o trabalho voluntário é menos reconhecido, à medida que imediatamente ele não traz benefícios próprios para quem o pratica, e acaba sendo, muitas vezes, tratado como algo menos importante que uma atividade remunerada, por exemplo. À vista disso, o sociólogo Bauman, discute sobre a fluidez das relações sociais atuais, as quais demonstram o mínimo vínculo afetivo e se constroem com base em interesses próprios. Em suma, com relações relações frágeis, o voluntarismo também se torna fraco, pois para este se fortalecer é necessário um corpo social unido e ciente das dificuldades de outrem, sendo isso uma das causas da baixa frequência de voluntários no país.

Ademais, a falta de perspectiva do praticante e do receptor da ação, isto é, não acontece a plena compreensão do que se trata e qual é a finalidade da ação efetivamente entre os participantes. Nesse viés, a ação do voluntário torna-se algo utópico no país, isso devido, principalmente, a um histórico brasileiro de ser “involuntário”, ou seja, o indivíduo exerce uma ação, a princípio espontânea, porém ao analisar-se o fito dela encontra-se o benefício próprio, a exemplo de políticos, que em períodos eleitorais participam desse mecanismo a fim de melhorar sua imagem para com o eleitorado. Em vista disso, o filósofo Kant defende a tese de que o indivíduo deve basear suas ações no que é realmente certo, sem levar em conta punições ou ganhos pessoais. Logo, em consonância com a teoria kantiana, no Brasil acontece o contrário, não é instruído no ser uma vontade de ajudar o outro espontaneamente, ou seja, enquanto a força motora dos atos se basear no egoísmo não se chegará na plenitude.

Portanto, o Ministério da Cidadania deve promover um programa de apoio ao voluntariado, através da disponibilização de recursos financeiros e com parcerias com palestrantes e empresas de publicidade, a fim de aumentar o número de voluntários brasileiros. Outrossim, a mídia deve apresentar para a sociedade a importância da ajuda humanitária, por meio de novelas e séries, de forma que se mostre os desafios enfrentados por seus praticantes e a resiliência que isso traz para os voluntários, além de mostrar os ganhos sociais, a fim de gerar a reflexão no corpo social rente essa atitude tão nobre.