A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/03/2021
A “Atitude Blasé”, termo proposto pelo sociólogo George Simmel em seu livro “The Metropolis and Mental Life”, ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que deveria dar atenção. É preocupante que este conceito se aplique a 97,5% da sociedade brasileira que não realiza nenhum trabalho voluntário, o dado descrito se dá pela desvalorização deste que, por sua vez, é visto dessa forma por razões como o egoísmo de um povo que só pensa em si próprio além da desconfiança devido a escândalos de corrupção em ONGs.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar o egocentrismo da população. Nesse sentido, observa-se que desde que o humano é humano, ele sempre pensa nele antes de tudo. Tal como depreende-se da situação atual de pandemia na qual mais de 300.000 brasileiros já morreram, já que pessoas com condições de estar em casa decidem sair sem proteção, sem se importar com o que pode ou não acontecer com o próximo. Nessa conjuntura, torna-se perceptivel a falta de empatia humana visto que, se utilizar uma máscara, que também beneficia o usuário, é visto como um problema para muitos, quem dirá realizar uma ação voluntária que necessita de disposição e tempo. Desta forma, o voluntariar-se torna-se pouco atrativo, tristemente desvalorizando este ato de amor ao próximo.
Ademais, é fundamental apontar a suspeita que se tem ao doar recursos para organizações não governamentais, suspeita essa relacionada a casos de adulteração de verbas, visto que estas entidades são vistas como um caminho fácil para o desvio de recursos. Somente no ano de 2017 o Ministério Público do Estado do Amazonas identificou 41 ONGs suspeitas segundo o jornal Amazonas Atual. Diante de tal exposto é possível compreender a falta de credibilidade destas instituições, em consequência desta falta de respeito cometida, a descrença nas instituições de caridade atinge não somente entidades corruptas mas organizações sérias também, prejudicando quem mais necessita já que doações muitas vezes necessárias não são feitas por medo de fraude. Logo, é inadimiscível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que os Ministérios Públicos de cada estado, por intermédio da polícia federal, realizem operações de combate à corrupção em institutos filantrópicos com penas inafiançáveis aos presos com o intuito de devolver a crediblidade às instituições corretas, além do Ministério da Educação que por intermédio de aulas de solidariedade deve incentivar as crianças a fazer ações voluntarias com auxílio dos professores a fim de que no futuro tenham menos pessoas egoístas. Assim se consolidará uma sociedade mais empática e respeitosa.