A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 30/03/2021

Até algumas décadas atrás, o trabalho voluntário restringia-se predominantemente a algumas ações pessoais, da escola ou de grupos religiosos. Chega a ser interessante observar como esses programas mudaram o comportamento de executivos dos mais diversos segmentos e suas funções dentro das empresas. Uma média de 15 milhões de pessoas doam para alguma obra ou projeto sem remuneração, onde buscam saciar sua vontade de fazer o bem ou simplesmente serem úteis.

Os motivos que levam as pessoas a se voluntariarem podem ser sistematizados de duas formas principais. A primeira é a motivação pessoal, que responde à inquietação interior e, portanto, age em situações difíceis e dolorosas. A segunda vertente é de natureza social. É o olhar crítico de um voluntário em relação à realidade que, ao se deparar com uma injustiça, engaja-se e decide atuar no enfrentamento dos problemas.

O Brasil tem uma visão monetária sobre o trabalho voluntário. Sempre vem em mente “o que irei ganhar se ajudar” ou “não vou trabalhar de graça”, deixando as pessoas que realmente querem ajudar ser tratadas como mao de obra rápida e sem custos, desvalorizando sua luta. Muitos famosos fazem caridade como forma de demonstrar sua “pureza”, assim aumentando sua popularidade, onde “se amostrar” pelo fato de ter ajudado, se torna outra causa da desvalorização do mesmo.

Em suma, vê-se a necessidade de alternar a visão egoísta implantada com relacao a caridade por meio de suporte governamental e através de campanhas que gerem maior visibilidade para o voluntariado.