A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 26/03/2021

Durante o ano de 2020, o Pantanal foi alvo de queimadas que atingiram quase 10% da área do bioma. Voluntários de todo o país se despuseram a ajudar no resgate dos animais e no controle do desastre. Ações voluntárias como essa ainda são desvalorizadas pela sociedade brasileira, onde apenas 4,3% da população pratica trabalho voluntário. Tal realidade pode ser justificada pela falta de estímulo a essa prática.

O sociólogo Zygmunt Bauman defendia o conceito de “modernidade líquida” onde a ideia de coletividade é substituída aos poucos pelo individualismo. Tal concepção se adequa ao perfil da sociedade brasileira onde o ensino carece na educação socioemocional e não se incentiva a preocupação com o próximo. A construção da empatia deve ocorrer desde a infância. É preciso entender que o trabalho voluntário não é um sacrifício e sim uma experiência de benefício mútuo.

A divulgação sobre a diversidade de trabalhos voluntários no Brasil ainda é precária. Infelizmente a maior atenção só é dada quando ocorrem grandes catástrofes. Tendo em vista que sempre vão haver necessidades coletivas, é importante cultivar a ideia de que a solidariedade sempre será conveniente. Por consequência, nota-se o papel da mídia na conscientização sobre a responsabilidade social integral.

Em virtude dos fatos mencionados, é necessário que os órgãos governamentais, como o Ministério da Cidadania, em conjunto com as empresas de publicidade tomem providências para converter a situação. Por meio de ações como o auxílio aos voluntariados através de programas de apoio, estímulo de ações sociais no âmbito educacional e de propagandas na mídia que aumentem a visibilidade sobre a situação. Somente assim será possível valorizar e aumentar o número de voluntariados no Brasil.