A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 25/03/2021
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílos Contínua, 7,2 milhões de pessoas realizam atividades voluntárias no Brasil, o que corresponde a menos de 5% dos habitantes do país. De forma sucinta, entende-se que esse número de pessoas é consideravelmente baixo se comparado à totalidade da população brasileira. Essa desvalorização do trabalho voluntário deve-se à desigualdade social presente no território brasileiro e ao descompromisso das autoridades competentes em relação ao assunto.
Antes de tudo, é necessário compreender que o Brasil é um país extremamente desigual, o que afeta diretamente a prática de atividades voluntárias no país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 13,5 milhões de brasileiros vivem em situação de extrema pobreza. A partir da análise desse dado, pode-se inferir que uma parcela considerável da população brasileira não possui interesse na realização de trabalho voluntário por causa que precisa vender sua força de trabalho em troca de remuneração monetária. Sendo assim, ao ter a opção de escolher entre um trabalho remunerado e um trabalho não remunerado (que é o caso do trabalho voluntário), é provável que opte-se pelo primeiro.
Além disso, as autoridade competentes pouco têm feito para que a prática do trabalho voluntário seja disseminada ao longo do território nacional. Um exemplo desse descompromisso parte do presidente Jair Messias Bolsonaro, que, segundo o portal jornalístico “Congresso em Foco”, pediu o fim de doações financeiras direcionadas a Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam na Amazônia. Desse modo, ao atacar publicamente ONGs responsáveis pela disseminação de ações voluntárias, o presidente contribuiu de forma indireta para a desvalorização do trabalho voluntário, já que fez uso de sua influência como uma forma de boicote a organizações que adotam essas práticas. Assim, pode-se inferir que, ao presenciar discursos que desvalorizam o trabalho voluntário por parte das autoridades, a população é guiada ao mesmo pensamento, o que desemboca no agravamento desse problema.
Portanto, entende-se que a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil está centrada na desigualdade social e no descompromisso das autoridades públicas. Sendo assim, faz-se necessário que a Organização das Nações Unidas intervenha na realidade brasileira e incentive a disseminação do trabalho voluntário no Brasil por meio de palestras acerca da importância deste e por meio de incentivos financeiros para a realização desse trabalho a partir das ONGs. Desse modo, haveria uma maior valorização de ações voluntárias e, consequentemente, uma sociedade mais solidária e empática.