A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 29/03/2021
¨Modernidade líquida¨, termo utilizado por Bauman para afirmar que as relações interpessoais contemporâneas sofreram uma grotesca variação de tratamento com o decorrer do tempo. A partir dessa referência, é possivel notar a troca de valores em favor do individualismo, visto que as pessoas buscam meios de suprir uma carência superficial de afeto, demonstrando minimamente o apreço pela empatia, tão necessária em se tratando de atividades voluntárias. Somados a isso, a postura social junto à questão política nacional são responsáveis pela desvalorização do trabalho espontâneo.
Primeiramente, os valores culturais presentes na sociedade brasileira são desafiantes para o alcance de um estado de bem-estar coletivo. Dessa maneira, como o inconsciente popular apresenta uma cultura antropocêntrica mais distante do coletivo, as atenções para cidadãos mais frágeis são boicotadas pela busca de realização dos prazeres próprios. Fato é, não raro, a solidariedade necessária para a ocorrência de trabalhos voluntários em maior quantidade é ameaçada, gerando um estado de mal-estar quase constante. Sendo assim, a influência da liquidez da mordernidade, descrita por Bauman, é de indescritível relevância, pois confirma o marjoritário estado de individualismo.
Outrossim, a questão política exerce um ineficiente estímulo ao trabalho voluntário. Isso porque a óptica capitalista torna-se a prioridade a ser atendida, secundarizando o setor social, em que os potenciais voluntariados se encontram. Com isso, segundo Rousseau: ¨Não educar já é educar¨. Apoiado nisso, é possível notar que a insuficiente propaganda governamental ao trabalho filântropo é responsável pelos baixos índices nacionais dos trabalho sem remuneração, de modo que a não alteração da visão capitalista propicia a recorrência de um comportamento de indiferença com os indivíduos mais vuneráveis, constatando a importância da mudança nas prioridades políticas.
Ante o exposto, cabe à mídia, devido ao seu elevado potencial de alcance popular, mostrar a cultura egoísta abrangente, mediante publicidades com profissionais capacitados debatendo sobre os malefícios do individualismo na vida em comunidade, a fim de atingir um maior público disposto a participar voluntariamente de serviços coletivos. Ademais, é dever do Poder Público promover a popularização dos trabalhos comunitários, por meio de palestras cotidianas acessíveis, objetivando valorizar esse comportamento até torná-lo habitual.