A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 30/03/2021
Generoso e acolhedor. É assim descrito internacionalmente o povo brasileiro, porém no Relatório Global de Engajamento Cívico de 2016, o Brasil se apresenta na décima quarta posição e com uma pontuação aproximadamente igual à metade do primeiro colocado, Mianmar. Esses dados se colocam em oposição a um dos mais importantes valores da sociedade brasileira, o altruísmo. O autorreconhecimento de forma mais objetiva da sociedade brasileira e de suas ações é extremamente importante para solucionar a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil.
Sendo o Brasil um país extremamente cristão, torna-se questionável o motivo de sua colocação tão baixa em relação a Mianmar, um país igualmente religioso. É muito comum que indivíduos atuem em trabalhos voluntários através de instituições — religiosas e governamentais são as mais comuns — que facilitam a distribuição desses benefícios para aqueles que deles necessitam. Embora o apoio financeiro seja fundamental para a organização do trabalho voluntário, é simplesmente imprenscidível a disposição de tempo e a própria participação, seja distribuindo comida ou coletando roupas para os mais necessitados, seja atuando em ONGs. É superestimado a doação de dinheiro, mas pouco valorizada a verdadeira disposição do indivíduo para esse tipo de trabalho.
Em um mundo onde cada vez mais aumenta o trabalho compulsivo, é extremamente necessário dar importância ao trabalho voluntário, além de, não só diretamente ajudar os menos afortunados, também aumenta o bem-estar comum. Ele mantém o indivíduo menos alienado aos problemas da sociedade, também lhe proporcionando outra perspectiva sobre o meio social em que participa. No atual momento de pandemia, que deixou a economia fragilizada e a população necessitada, o que se necessita também é o autorreconhecimento do brasileiro como contribuinte social.