A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/03/2021
A diminuição do trabalho voluntário no Brasil deve-se, principalmente, a mentalidade dos jovens atuais, visto que a sociedade atual vive numa era de alienação onde apenas as redes sociais e status despertam o interesse do público. Juntamente à isso, a falta de um retorno financeiro desvaloriza e desinteressa grande parte da população que não é capaz de enxergar o real sentido dos trabalhos voluntários, o retorno afetivo e o amor. Ademais, o Brasil não implanta um sistema onde tais ações importam na ingressão de uma faculdade ou aprimoração de um currículo como os Estados Unidos, por exemplo, o que acaba fortalecendo o pensamento da sociedade de que as mesmas não agregam em nada.
Nessa perspectiva, a falta de compaixão por parte dos médicos em hospitais oncológigos, por exemplo, faz com que o ambiente torne-se um local desconfortável para os pacientes. Pode-se notar tal acontecimento no filme Patch Adams- O amor é contagioso, onde o personagem principal, após tentar cometer suicídio e ser internado, verifica que a falta de humanidade é evidentemente presente nos profissionais da saúde e opta por tornar-se médico e trazer uma nova forma de tratamento, uma forma mais leve e interativa. Com isso, é de extrema importância a realização de trabalhos voluntários em hospitais de maneira frequente não só para os pacientes, uma vez que a partir disso pode-se obter mais conhecimentos sobre a área e aprimorar a sensibilidade e empatia.
Nesse contexto, a fala de Mahatma Gandhi tem grande relevância onde o mesmo diz “Temos de nos tornar a mudança que queremos ver” verificando a ideia de que o incentivo ao próximo deve ocorrer juntamente as ações do incentivador, visto que muitas vezes os julgamentos vêm de indivíduos que sequer fazem algo pela sociedade. Ademais, pesquisas apontam que oito em cada dez jovens brasileiros entre 16 a 24 anos nunca se envolveram com voluntariado, sendo o principal motivo para a falta de tal deve-se, segundo os jovens, a falta de tempo. A tecnologia, maior inimigo não só dos jovens, mas da sociedade num geral, toma conta do dia a dia das pessoas, fazendo com que os mesmos acreditem que não há tempo livre para exercer tais atividades que, certamente acrescentam mais do que uma fofoca na internet.
Portanto é mister do Estado a criação de propagandas que carregam consigo incentivos para a prática de voluntariados. Além disso, a comprovação da realização das atividades num curriculo ou em uma carta de recomendação para jovens ingressarem em faculdades com mais destaques é algo que possivelmente irá resolver parcialmente a desvalorização das atividades, despertando o interesse do público com uma recompensa que pode determinar o futuro de uma pessoa.