A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 26/03/2021

Na base do pensamento de Mário Sérgio Cortella,filósofo brasileiro, está o pressuposto de que é imprescindível diligir a ética a fim de não anestesiar a consciência individual e obstar banalizações. Nessa lógica, tal princípio ratifica-se ao considerar o trabalho voluntário como pujante impulsionador da manutenção dos valores morais na sociedade contemporânea cujas adversidades não são negligenciadas  pelo altruísmo dos agentes voluntariados, haja vista o exorbitante anseio pelo bem-estar social. Entretanto, a ação voluntária no Brasil está submetida a ininterrupta desvalorização advinda não só de injúrias relacionadas a gestão das instituições, bem como do exíguo recurso financeiro disponível para as ações.

Precipuamente, cabe abordar que as atividades voluntárias estão sujeitas a exarcebadas injúrias que controvertem e desprestigiam sua gestão. Segundo Alfred Montapert, filósofo francês, o indíviduo é resposável pelo efeito exercido sobre o outro, construtivo ou destrutivo. Nesse sentido, a sociedade brasileira, por ser embasada na crença capitalista de que os lucros são inerentes ao ofício, propende a contestar uma dinâmica fundamentada na ausência de fins profícuos, no senso puramente cívico e na gerência humanitarista. Desse modo, a aversão aos aparatos voluntários, a partir das inculpações de administração flexível e transgressora, desmotiva os atos solidários e seus efeitos benevolentes à ala desprovida da comunidade.

Ademais, a exígua disponibilidade de recursos financeiros não sustenta os projetos e mecanismos das instituições alternativas. De acordo com Ayan Rand, filósofa humanista, o capital é uma das vitais ferramentas para o desenvolvimento das fundações no âmbito vigente. Nessa perspectiva, com o intuito de prover o auxílio às esferas marginalizadas , as coorporações voluntárias demandam profusos espólios para adquirir e distribuir bens de primeira necessidade, atendimentos médicos, infraestrutura e utensílios emergenciais. Dessa forma, a escassez de capital não assegura a perduração das ações solidárias e, por conseguinte, estas têm sua relevância abstraída.

Diante dos supracitados,  torna-se evidente que a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil é progressiva conforme a imposição de empecilhos pela sociedade. Portanto, urge que o Ministério da Educação, juntamente as mídias sociais e propagandistas, promova o reconhecimento das concepções dos voluntariados por intermédio da divulgação de projetos de cunho social e informativo, além de incentivar doações e a prática da solidariedade a partir de atividades extracurriculares em corpos estudantis. Assim, a valorização do ato voluntário será desenvolvida e perpetuará os principior morais e éticos na comunidade brasileira.