A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/03/2021
O nascimento formal do voluntariado teve origem no século XIX, com o enfoque na benemerência, em que, os problemas sociais eram entendidos como “desvios” da ordem dominante e necessitavam da caridade organizada. Nesse ínterim, observa-se que voluntários sempre são tidos como beneméritos, ou seja, dignos de louvores. Portanto, o incentivo maior nunca era a solidariedade genuína, mas sim os aplausos recebidos, perpetuando assim até hoje. Além disso, o trabalho voluntário dificilmente é um realçador de currículo aqui no Brasil, fato que reitera o desapreço para com o voluntariado. Logo, faz-se imperiosa a análise sobre a desvalorização do trabalho voluntário nacional.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que um estudo publicado pela “Gallup” revelou que a disposição de um país em ajudar o próximo é um forte indicador de múltiplos benefícios, como o bem-estar econômico e coletivo. Contudo, o Brasil ficou na 34ª posição no “ranking” feito pela pesquisa. Tal colocação evidencia a falha brasileira em incentivar o voluntariado, pois, no cenário capitalista, aplausos geralmente não são suficientes, haja vista que incentivam um trabalho voluntário egocêntrico e com poucos retornos reais pelo bom feito. Nessa temática, nota-se que grande parte dessa depreciação do trabalho voluntário se deve à falta de incentivo do Estado, que não oferece o reconhecimento necessário, nem mesmo o tão almejado “aplauso”. Em consequência disso, o trabalho voluntário é menosprezado e cada vez menos recorrente, de modo a prejudicar quem necessita dessa solidariedade.
Outrossim, é mister salientar que, segundo “Brasileiras pelo Mundo”, o trabalho voluntário é quase um pré-requisito em muitos países, como os Estados Unidos. Todavia, no Brasil, tal possibilidade é escassa, pois quase nenhum empregador celebra o trabalho voluntário no momento de contratar seus funcionários. Isso também se deve à negligência do Estado, pois não oferece nem incentiva benefícios do tipo no Brasil. Por conseguinte, muitas pessoas são desencorajadas a praticar esses bons atos, pois optam pelas melhores oportunidades que não incluem o trabalho voluntário.
Em suma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, o Estado Brasileiro deve promover o trabalho voluntário, por meio de um programa de benefícios capaz de incentivar efetivamente essa rede solidária, fazendo com que empresas coloquem esse tipo de trabalho como requisito de contratação e que as instituições públicas também ofereçam benefícios aos voluntariados, assim como já acontece com os doadores de sangue e estudantes. Isso deve ser feito com a finalidade de valorizar o trabalho voluntário brasileiro, de modo a reconhecer o trabalho feito sem fortalecer apenas o ego, mas também acarretar benefícios reais. Dessa forma, atenuar-se-á a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil e o enfoque na benemerência diminuirá.