A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 27/03/2021

A célebre produção cinematográfica “Quem se Importa”, produzida pela diretora brasileira Mara Mourão, retrata as narrativas de diversos indivíduos solidários, que promovem a evolução do mundo por intermédio de ações voluntárias, e estabelece críticas à sociedade individualista. Paralelamente à obra, a valorização decadente de trabalhos voluntários no Brasil  cerceia o progresso da nação. Nesse ínfimo, a deturpação de ideias vinculados à vida em comunidade e a alienação das massas sociais aos adventos da Revolução Informacional correspondem aos principais corroborantes dessa prerrogativa.

Em primeira instância, é essencial postular a negligência de raízes históricas atreladas aos ideais indígenas. Durante o período das Grandes Navegações, foi estabelecida a posse de territórios americanos por portugual. De tal modo, em função do mercantilismo portugues, os princípios dos nativos, atrelados à solidariedade mútua e colaboração entre membros da tribo, foram paulatinamente desvalorizados pelos novos moradores da colônia. Nesse viés, é perceptível a manutenção de ideologias ibéricas vinculadas à garantia do lucro e valorização de interesses particulares na contemporaneidade. Por conseguinte, é notória a crescente desvalorização de princípios relevantes para a coesão social e para a redução das desigualdades entre os indivíduos, exemplificados pelo voluntariado.

Mormente, convém licitar o influência nexercida pelos veículos midiáticos na estrurutação da conjuntura hodierna. Em consonância com a obra “Sociedade de Espetáculo”, elaborada pelo filósofo francês Guy Debord, as massas populacionais são caracterizadas pelo uso excessivo dos recursos informacionais, levando ao enaltecimento exacerbado de padrões, predominantemente equivocados, disseminados na internt. Sob tal ótica, é factual que o distanciamento do contexto concreto, resultante da imersão no cenário ilusório da mídia, acarreta danos ao senso crítico da população e, consequentemente,  a desvalorização do trabalho voluntário.

Em suma, diante dos fatos suprapostos, é mister que haja a alteração da problemática. Com o intuito de fomentar o progresso do sistema social, urge que o governo brasileiro fomente a solidariedade entre a população. Outrossim, é mister que a mídia, veículo em ascensão no contexto mundial, promova o engrandecimento do aspecto colaborativo dos cidadãos, por intermédio da  propagação de conteúdos relevantes acerca do voluntariado. Dessa forma, a dinâmica unificadora exposta em “Quem se importa” será ampliada no Brasil.