A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 29/03/2021

Na série Grey’s Anatomy, disponível na plataforma Netflix, a personagem April fica longe de seu marido por meses, abrindo mão de sua vida pessoal e amorosa, para prestar serviço médico voluntário pro exército, nos campos de batalhas. Fora da ficção, ações como a de April, estão cada vez mais raras mesmo podendo realazá-las sem interrupções em nenhuma área da vida do voluntário, mostrando que atos altruístas estão se tornando cada vez mais ficcional e menos real. Dessa forma, é fulcral uma análise acerca  da falta de consciência individual e a superficialidade como fatores que impactam negativamente na questão de trabalho humanitários.

Precipuamente, percebe-se que a concepçãp brasileira  sobre ações de viés humanitário é rasa. No site Linked In , tem-se o relato de um volutário (há 8 anos) evidenciando falta de “noção” até mesmo por parte de quem se beneficia desses serviços. A voluntária do depoimento, deixa claro que seus esforços são desvalorizados, sua mão de obra é vista como fácil e barata sem direitos a reclamações, e ainda  é questionada: “o que você ganha com isso?”. A partir disso, e notório que a consciência em relação a esse ato, está escassa no Brasil, fazendo-se preciso um rebatimento do pensamento de que voluntariado está associado ao que se ganha, quando na verdade se atrela ao que se oferece, como dito pela humanitária citada anteriormente.

Em segundo lugar, o novo modo de viver (de aparências) é algo que dificulta o crescimento do trabalho valuntário no Brasil, já que essa questão não atrai muita midía. De acordo com o IBGE, antes da pandemia, o voluntariado estava em decadência e em 2019 menos de 7 milhões de brasileiros realizaram algum tipo dessa ação solidária. Isso corrobra a superficialidade da população brasileira, pois somente após algo drástico e que se encontra constantemente em alta nos meios comunicativos, houve interesse da comunidade em realizar serviços solidários.  Assim, depois que a pandemia ganhou visibilidade, foi que a tendência humatirária cresceu, evidenciando que a ideologia de agir por conveniência, deve ser inibida.

Acerca de tudo que foi argumentado previamente, fica claro que no sistema brasileiro o trabalho volutário é drasticamente reduzido a um ato para ganhar “ibope”. Com isso, cabe a Câmara dos deputados e governadores estaduais implantarem nos rádios, meios digitais, nas televisões, palestras incentivadoras do serviço em prol comunitário. Cabe também, ao Ministro da Educação adentrar nas escolas e faculdades palestras com finalidade de promover o voluntariado. Somente assim, a frase de Paulo Freire entrará em vigor “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.” Por fim, esse tipo de ato altrísta se tonará popular sem existir pandemia.