A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 29/03/2021

Na Grécia Antiga foi cunhado o conceito de cidadania, que estabelecia os direitos dos indivíduos que viviam na polis. Nesse contexto, os cidadãos não só eram iguais perante as leis, como participavam diretamente das decisões políticas. Contrariamente, no Brasil atual, observa-se uma lacuna no que concerne à cidadania, na questão da desvalorização do trabalho voluntário. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema em virtude do silenciamento e priorização de interesses financeiros.

Diante disso, há a questão da falta de debates, que influi decisivamente na consolidação do problema. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como a falta de visibilidade das ações voluntárias no Brasil, seja resolvida, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, principalmente para que estruturas de poder sejam mantidas, por exemplo, empresas populares que negligenciam movimentos altruístras por questões lucrativas. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria as chances de atuação nele.

Outrossim, a priorização de interesses financeiros ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, cunhou o conceito de Indústria Cultural para criticar a desvalorização da arte no contexto do capitalismo cultural. Nessa linha de pensamento, problemas como a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil florescem em virtude da supremacia de interesses financeiros, visto que uma má distribuição de investimentos, motivadas pelo beneficiamento próprio, impede que exista um aproveitamento para criação de movimentos que inspirem a empatia e tomando grandes proporções. Então, tem-se a objetificação de sujeitos e práticas sociais como consequência, o que acaba por agravar o problema e dificultar sua erradicação, como já preconizou o filósofo.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a desvalorização do trabalho voluntário no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores, e famílias que já foram beneficiadas por ações voluntárias que possam explicar o impacto positivo que esses trabalhos têm. Além disso, esses eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de um maior entendimento. A partir disso, como propõe Habermas, o dialógo resolveria o problema.