A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 31/03/2021

De acordo com a teoria de Hobbes, o homem é cruel e funesto por natureza, em outras palavras, o ser humano não pensa em ninguém além de si, contribuindo para uma sociedade corrompida. Dessa forma, a noção de uma comunidade unificada está conturbada na atualidade, em que os indivíduos não se relacionam mais como uma sociedade em si, mas como pequenos grupos específicos em um meio social amplo, desvalorizando ações humanitárias. Além disso, a falta de incentivo governamental é um fator determinante para a redução de cidadãos interessados no trabalho altruísta, em que a ausência de informação no meio populacional ocasiona a exposição de vulneráveis.

Em primeira análise, segundo pesquisas de Katy Wright do Bauman Institute, os seres humanos estão mudando suas relações sociais, em que hoje não há mais uma noção de comunidade unificada como nos anos setenta, isso ocorre devido a flexibilização do emprego e a pluraridade das relações humanas. Outrossim, isso fomenta a redução da participação populacional em ações humanitárias, pois não há um sentimento de empatia e de pertencimento para a camada social vulnerável, portanto não há sentido em auxiliar tal causa. Analogamente, isso ocasiona um despertencimento dentro do meio social, além de atingir os indefesos, que não conseguem ajuda dos indivíduos perseverantes.

Sob um segundo olhar, a falta de interesse governamental é um fator primordial para a desvalorização da ocupação filantropa no Brasil, afinal, a informação de que ações sociais são importantes para o desenvolvimento da população em geral não é divulgada de maneira explícita nas mídias. Ademais, somada com a falta de interesse populacional em auxiliar sua comunidade ou as causas homólogas aos indivíduos, gera a redução da participação individual de cada cidadão. Dessa forma, os projetos sociais e humanitários são prejudicados, não conseguindo patrocínio para seus serviços e nem voluntários para as tarefas diárias, contribuindo para a exposição de diversas minorias na sociedade, deixando-as suscetíveis a injustiças e preconceitos.

Por tal prerrogativa, é de incubência do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos em conjunto com a comunidade nacional, promover uma melhor valorização das relações sociais, ao inserir atividades comunitárias em que reúnam diferentes indivíduos, tais como shows e peças teatrais, com o objetivo de aperfeiçoar a vida social humana, ao ir contra o ideal de natureza antrópico, segundo Hobbes. Já o objetivo da população é refletir e modificar suas atitudes em busca de uma sociedade mais prudente e igualitária. Outrossim, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve divulgar acerca da importância do trabalho voluntário, por meio de propagandas nas mídias sociais como a televisão, com o  objetivo de democratizar a informação e garantir menos injustiças.