A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 15/04/2021

O trabalho voluntário no Brasil, indiscutivelmente, é desvalorizado de modo contínuo. Um dos principais fatores que contribuem para tal evento é a falta de educação no país, isto é, muitas pessoas não têm oportunidade de terminar o ensino médio ou sequer o fundamental e, quando a recebem, o fazem de forma extremamente precária, como é na maioria das escolas públicas do país. Outro fator que coopera muito com isso é a falta de projetos de fidelização por parte das organizações do terceiro setor.

Previsivelmente, um povo tão desigual financeira e educacionalmente, como é o brasileiro, repete o dito padrão no quesito voluntariado. É isso que revela uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a qual aponta que, em 2018, apenas 2,9% das pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto participavam de trabalhos voluntários, no Brasil, ao passo que, entre as pessoas com ensino superior completo, o percentual chegou a 8.

Outro ponto essencial que as organizações não governamentais deixam de fazer, desvalorizando esse tipo de trabalho, são os programas de fidelização de seus adeptos, através dos quais os sócios deixariam, como muitos o fazem, de se desligar desses projetos logo após entrarem. A Mesa Brasil SESC, uma rede nacional de bancos de alimentos que atua contra a fome e o desperdício, sintetizou isso com bastante propriedade, dizendo: “O planejamento visa criar condições organizacionais para que os voluntários se sintam sempre parte integrante da organização e da equipe”.

Portanto, o governo federal, através do Ministéro da Educação, deve investir em uma melhor escolarização dos brasileiros. Já as escolas devem incentivar seus alunos a aderir programas de voluntariado e mostrar a eles a urgência do trabalho voluntário, tudo a fim de incentivar a este. Às ONGs, cabe realizar planos para tornarem leais seus adeptos, os quais mostrem a eles os resultados de suas atividades, agradecendo-lhes e ouvindo novas propostas deles, a fim de mostrar-lhes que têm participação ativa e dando-lhes uma sensação de pertencimento àquela agremiação.