A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 05/04/2021

Na animação japonesa “Shingeki no Kyojin”, de Hajime Isayama, desvela sobre a humanidade que vive em um território delimitado por grandes muralhas devido ao ataque de criaturas humanoides nomeados como titãs. A luta contra os titãs é guiada por um exército dividido em três grupos, tendo como destaque a Tropa de Exploração, sendo um regimento conhecido pela sua devoção, honestidade e voluntariedade em prol da humanidade. Em contrapartida, observa-se que a devoção e voluntariedade empregadas no campo ficcional tem se atenuado na sociedade hodiernamente. Isso ocorre devido ao ideal individualista exabundante e a exiguidade de conhecimento populacional. Assim, faz-se imperioso a análise de tais enclaves, a fim de que a desvalorização do trabalho voluntário seja mitigado.

Em primazia, é crucial salientar que o princípio individualista se apresenta como um grande óbice para o crescimento do trabalho voluntário. Isso, porque, o corpo social, mediante o ideal individualista, tem mantido o envolvimento social empático como fator irrelevante, sobretudo em relação ao ato voluntário, que gradativamente são vistos como uma ação que faz o uso de um tempo considerável, o que faz, consequentemente, os indivíduos não se voltarem a prática, tornando a falta de empatia e solidariedade um ponto comum na sociedade. Nesse sentido, o sociólogo Émile Durkheim conceitua a solidariedade social como um fator que garante a coesão social. Desse modo, é vital que os indivíduos trabalhem a solidariedade social por meio de atos empáticos para a promoção do trabalho voluntário.

A posteriori, é imperioso ressaltar que a ausência de conhecimento no tocante ao trabalho voluntário impulsiona a falta de relevância da ação social. Acerca disso, é congruente trazer o discurso do iluminista Immanuel Kant, no qual reflete sobre a teoria do esclarecimento, que é a saída do homem da menoridade, sendo a menoridade a incapacidade do homem de pensar por si próprio por conta do comodismo e medo. Diante de tal exposto, é notável que inúmeros indivíduos não buscam por conhecimento, uma vez que se limitam a viver estagnados pela ociosidade, sendo este interím, assim, atenuado pela falta da ação estatal, no qual não auxiliam para mudança de pensamento da sociedade.

Urge, portanto, que é necessário medidas exequíveis para atenuação destes infortúnios. Com isso, tornar-se-á vital que o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Cidadania, estimule palestras e workshops sobre a relevância do trabalho voluntário e como os cidadãos podem atuar para o ampliação desta ação social, sendo ainda tais projetos auxiliados por especialistas, maiormente estudiosos das Ciências Humanas, e líderes de projetos sociais. Dessa forma, a desvalorização do trabalho voluntário reverter-se-á, e as características base da Tropa de Exploração serão intrísecas a sociedade contemporânea.