A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 13/04/2021

Segundo dados da UOL, no ano de 2020, aproximadamente 6,7% da população vivia em estado de pobreza extrema, cenário que se agravou com a onda de desemprego causada pela pandemia do COVID-19. Para muitos, a única chance de sobrevivência seria a ajuda do trabalho voluntário de terceiros, o qual vem diminuindo progressivamente com o passar dos anos, trazendo à tona a necessidade de compreender o porquê de sua desvalorização e a busca de soluções de como reverter esse quadro.

Para o Relatório de Engajamento Cívico de 2016, um dos fatores responsáveis pela valorização e a prática de trabalhos voluntários é o aspecto cultural de uma sociedade. Trazendo esse olhar crítico para nosso país, enxerga-se uma tendência crescente de desmotivação na realização desse trabalho, onde cada vez mais pessoas necessitam de ajuda e cada vez menos pessoas se sentem em condições de ajudar, o que leva à sensação de que seu trabalho em nada tem adiantado. Essa situação desmascara outra face dessa retração: o aspecto econômico de um país.

Deste modo, é possível compreender que o fator econômico e o poder de compra de pessoas mais abastadas interfere diretamente em quanto elas serão capazes e se sentirão motivadas a compartilharem com o próximo parte de seu tempo e recursos. Sensação afetada diretamente pelo aumento da inflação, tendo em vista a diminuição de seu poder de compra.

Portanto, para a valorização e o incentivo dessa prática tão benéfica para a sociedade como um todo, o governo federal, através de acordos comerciais e motivações tributárias, deve investir na iniciativa privada, fazendo com que a mesma se espalhe para as periferias dos grandes polos urbanos, gerando mais oportunidades de emprego e incentivando o mercado a controlar a inflação. Assim, diminuir-se-ão as taxas de desemprego e cada vez mais pessoas terão maior poder de compra e capacidade para estabelecer a prática frequente de trabalhos voluntários.