A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 14/04/2021

Durante o século XVII, o físico inglês Isaac Newton propôs em seu livro “Principia Mathematica” uma das leis mais famosas da ciência: toda ação têm uma reação. Fora do campo da física, pode-se relacionar o que foi estabelecido pelo gênio com a problemática realidade brasileira atual: como um par de ação e reação, a cultura do individualismo e a omissão social resultam na desvalorização do trabalho voluntário no país.

Sob esse viés, deve-se apontar a valorização do individual em detrimento do bem comum como uma das causas do entrave. A tendência da cultura individualista em negar que problemas do outro afetam a sociedade como um todo produz indivíduos egoístas. Essa conjuntura é sustentada pelas ideias do filósofo francês Émile Durkheim, que apontam o egoísmo, em grande parte, como produto da sociedade. Assim, por não possuírem o olhar voltado para o próximo, as pessoas tornam-se incapazes de realizar trabalhos voluntários que beneficiem o outro.

Consequentemente, isso produz um cenário de omissão social. De acordo com o sociólogo alemão Georg Simmel, o individualismo moderno resulta na “Atitude Blasé”, que nada mais é que um estado de indiferença aos problemas da sociedade por parte da população. Em conformidade com suas ideias, pode-se afirmar que a inabilidade dos indivíduos em identificar os impasses socias impede que eles sejam atuantes no meio em que vivem. Dessa maneira, o voluntariado cai em desuso e tem seu valor destituido.

Depreende-se, portanto, que o problema da desvalorização do trabalho voluntário em consequência do individualismo e da omissão social é grave e demanda intervenção. Para isso, é imprescindível que as escolas, por intermédio da ação dos professores nas salas de aula, estimulem o sentimento da coletividade entre seus alunos e os ensinem a ser indivíduos atuantes na sociedade- com o apoio da família fora do ambiente escolar- a fim de que o panorama de indiferança social seja revertido. Assim, consolidar-se-á uma sociedade que valorize o bem comum em detrimento do individual, em que ao trabalho voluntário seja atribuído seu devido valor.