A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 23/04/2021
A Constituição Federal prevê que é dever do Estado promover uma sociedade livre, justa e solidária. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à desvalorização do trabalho voluntário. Isso se evidencia não somente pelo descaso dos indivíduos em ações filantrópicas, mas também pela negligência estatal.
Hodiernamente, é fulcral pontuar que o individualismo faz com que as pessoas não deem a devida importância as obras sem fins lucrativos. Por esse viés e de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade é regida pelos comportamentos superficiais e imediatos. Com efeito, vê-se que ainda existem muitos indivíduos que não se importam com o voluntariado devido à liquidez a qual estão envolvidos.
Ademais, destaca-se o descaso do governo como impulsionador do imbróglio. Nessa perspectiva, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é o responsável pelo bem estar social. Contudo, a ausência de medidas governamentais que incentivem o trabalho voluntário, corrobora para a irrelevância deste na sociedade. Conforme aponta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apenas 4,3% da população do País realizaram atividades deste teor. Nesse sentido, faz -se necessário uma atenção do governo na resolução dessa temática, para que o bem estar social seja restaurado.
Portanto, para que as prescrições constitucionais não sejam apenas teóricas, mas se tornem medida prática, é necessária uma ação mais organizada do Estado. Assim, o Governo Federal deve investir em campanhas midiáticas, por meio do Ministério da Educação, com a temática da importância do trabalho voluntário para a sociedade. Bem como, deverá inserir no currículo escolar infanto juvenil uma matéria voltada à este assunto com a participação dos alunos em projetos comunitários semestrais. Espera-se, com isso, que os trabalhos voluntários sejam estimulados e valorizados no país, para que uma sociedade integrada seja alcançada.