A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 02/05/2021

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à desvalorização do trabalho voluntário, realidade esta que está pautada na acomodação coletiva em detrimento das necessidades do outro. Nesse contexto, no que tange à falta de empatia social, percebe-se a configuração do problema em virtude não só das lacunas deixadas pelo Poder Público nos quais não há respaldo educacional, mas é decorrente também do individualismo presente no corpo social.

Em primeira análise, observa-se que as brechas deixadas pelo Estado referente ao cumprimento de seus deveres, abrem margem para a consolidação do problema. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende que o Estado deve ser o garantidor dos direitos e da assistência aos cidadãos do país. No entanto, a necessidade crescente de aporte por parte do trabalho voluntário, é reflexo da tentativa de assegurar à atenção e o apoio necessários aos grupos dos menos favorecidos, esquecidos pelo Poder Público.

À alternativa para manutenção da ação faltante do Governo segue desvalorizada, devido primariamente à base educacional, está que para Kant “com a presença de problemas assenta o grande degredo do aperfeiçoamentoda humanidade”, ou seja, só a partir do complexo educador do país que a população tenderá ao centro da empatia e do prazer em ajudar o próximo, e ainda, só a partir dela que o corpo social questionará as lacunas deixadas pelo Poder Público em detrimento da seguridade dos direitos dos cidadãos.

Outrossim, a falta de empatia da coletividade reforça a persistência do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman, defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Essa liquidez remete a desvalorização do trabalho voluntário, ao passo que indivíduo não compreende as necessidades alheias e o depreendem-se da responsabilidade de apoio as realidades do outro, funcionando como um agravante da questão supracitada.

Portanto, para que o problema deixe de fazer parte da realidade brasileira. O Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Nacional de Psicologia do Brasil, devem desenvolver “workshops” em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais, atividades estas abertas para a comunidade. Além disso, o Poder Público deve usar da força da propagandas para divulgar campanhas de valorização do trabalho voluntário como auxiliador da seguridade dos direitos pouco efetivos para com as parcela menos favorecidas da população.