A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 03/05/2021
Thomas More, em sua obra “Utopia”, descreve uma sociedade organizada e promissora, livre de qualquer mazela social. Entretanto, quando se observa a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil, é flagrante que a realidade descrita por More, não se aplica de forma favorável na prática. Sob esse vislumbre, impende anuir a escassez de generosidade nas relações sociais e a cultura capitalista sendo as razões da origem do empecilho .
Em primeira instância, é imperativo assentir a demasiada influência da falta de generosidade no meio social enquanto fator de causa para a desvalorização dos afazeres humanitários no Brasil, haja vista que esse elemento é descrito por Zygmunt Bauman, como característica da “Modernidade Líquida”, a qual é lauta de individualismo, falta de empatia e alteridade. Desse modo, é notório que a execução de de tarefas eletivas estão gradativamente escassas, em virtude da realidade individualista. Logo, se torna fulcral rever os princípos que predominam em prol de uma mudança nessa situação abjeta.
Em segunda análise, é indubitável a vultosa participação da cultura capitalista como agente da depreciação das atividades facultativas no Brasil, tendo em vista que essa proporcionou uma sociedade definida por por ações individuais voltadas ao lucro e ao benefício próprio, assim como foi alegado no conceito de “Homem Cordial” criado por Sérgio Buarque, o qual descreve que o interesse pessoal priorizado em relação aos coletivos é a grande característica da população hodierna. Portanto, far-se-á uma alterção no comportamento das pessoas visando romper com os princípios egoístas.
Destarte, para se torna uma sociedade organizada e promissora como na idealizada por More em sua obra “Utopia”, urge combater os fatores que provocam a desvalorização do trabalho comunitário no Brasil. Dessa forma, é mister que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, promova uma mudaça de princípios na sociedade brasileira e a difusão de incentivos para realização de trabalhos humanitários, por meio de palestras que informem a relevância dessas práticas e uma ampla mobilização tanto do Estado e da população na prática dessas atividades, assim transformando o egoísmo em generosidade, além de garantir a valorização que esses atos merecem.