A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 28/05/2021

Ao afirmar, em sua célebre canção “O Tempo Não Para”, o poeta e compositor Cazuza faz, de certo modo, uma comparação entre o futuro e o passado. De fato, ele estava certo, pois a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil não é um problema exclusivamente atual, uma vez que acontece desde a Revolução Industrial, período no qual se teve uma jornada de trabalho exaustiva e sem dignidade. Desse modo, na contemporaneidade, as dificuldades ainda persistem, seja pela negligência estatal, seja por descaso da população.

Sob essa perspectiva, convém enfatizar que o descuido do Estado está entre as principais causas da depreciação do vínculo trabalhista na sociedade brasileira. Nessa óptica, de acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever da União estimular a harmonia das ações sociais que sejam necessárias para progresso da sociedade. Sob esse viés, é notório observar que o Brasil necessita de apoio governamental para estimular os indivíduos a procurarem esse tipo de serviço, auxiliando na demanda de um determinado eixo que precisa desse apoio voluntário. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno século XXI, haja tamanha dificuldade para ingressar de forma digna em um serviço voluntário por falta de incentivo.

Outrossim, a repulsão das pessoas como mais um dos fatores que agravam o impasse. Nesse contexto, de acordo com o sociólogo brasileiro Luiz Augusto Rossi, a sociedade atual está servindo apenas o individualismo ao invés do coletivismo. De maneira análoga, a comunidade atual brasileira está sob um forte pensamento enraizado do capitalismo, em que apenas se deve produzir para receber o seu salário, esquecendo da empatia com as outras pessoas e ajudando-os. Sendo assim, é algo a ser refletido para que haja uma permutação concreta e positiva.

Portanto, fica evidente que a negligência estatal e o descaso da população são prejudiciais para a dignidade do trabalho voluntário no Brasil e que é necessário mudanças. Para isso, o Governo Federal, a exemplo da Secretária da Cultura, deve promover campanhas para mostrar a real importância desse trabalho, por meio de campanhas midiáticas. Nesse sentido, o intuito de tal medida é alcançar o maior números de pessoas para haver mais incentivo de tarefas alternativas e, consequentemente, minimizar o desprezo do trabalho voluntário. Feito isso, a capacidade das pessoas se envolverem de forma coletiva será mais bem aproveitada, promovendo um aumento do Índice de Desenvolvimento Humano na Pátria.