A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 02/06/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o dever do Estado em promover e incentivar trabalho voluntário. Conquanto, tal prerrogativa não tem se concretizado na prática, como disserta Gilbert Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, quando se observa a desvalorização de práticas sem fins lucravitos no Brasil, visto que a negligência do Governo, bem como a desinformação nas redes midiáticas, agravam esse cenário.
Com efeito, deve-se ressaltar a carência de medidas governamentais para combater essa desvalorização. Sob esse viés, de acordo com o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE -, cerca de 4,3% dos brasileiros realiza serviços comunitários em 2018. Nesse sentido, nota-se que a inexistência de projetos estatais que visem à promoção dessa ação contribui para o pequeno número de voluntários. Por conseguinte, os grupos marginalizados que necessitam ser assistidos carecem de ajuda tanto da população, quanto do Estado, acarretando, principalmente, na exclusão social desse grupo. Diante dos fatos apresentados, é imprescindível uma ação do Governo para mudar essa realidade.
Nota-se, outrossim, que a desinformação na sociedade brasileira, no que tange ao trabalho voluntariado, é um grande impulsionador desse impasse. Nesse cenário, devivo à escassez de informações nas redes midiáticas sobre a importância da assistência aos necessitados, há a relativização dessa prática pela maioria da população. Nesse horizonte, segundo a filósofa Simone de Beauviour, o mais escandolosos dos escândalos é que nos habituamos com eles. Assim, o desinteresse da nação em participar ativamente dessa ação comunitária benéfica, gera uma comunidade individualista e antiempática. Nesse aspecto, faz-se necessária uma mudança de postura das redes midiáticas.
Portanto, percebem-se os entraves que contribuem para a persistência da desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. Destarte, cabe ao Governo Federal criar projetos que visem à valorização dessa prática, por meio de benefícios sociais aos indivíduos que realizam essa ação, no intuito de incentivar a população a tomar posse dessa causa humanitária. Ademais, é mister ao Ministério das Comunicações abordar a importância dos serviços comunitários, mediante propagandas e campanhas publicitárias, na televisão e redes midiáticas, a fim de fomentar esse movimento tão importante. Desse modo, será possível edificar uma nação mais empática e solidária.