A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 03/06/2021
Na música “Empatia”, Priscila Alcantara cita o trecho “você é igual a mim, então faça por mim o que faria a você”, como forma de instigar o sentimento de compaixão entre as pessoas. A partir dessa ideia, é possível perceber a necessidade de debater sobre o trabalho voluntário no Brasil e a falta de reconhecimento da prática. Nesse contexto, a desvalorização do voluntariado é um desafio no país e persiste devido não só ao individualismo da população, mas também à falta de debate sobre o assunto.
Cabe salientar, em primeira instância, o individualismo como fator determinante para o descaso em relação ao voluntariado no país. A exemplo disso, Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superfíciais que caracterizam essa nação. Corroborando com o autor, é possível perceber esses comportamentos atualmente ao analisar a desvalorização e a ausência das práticas voluntárias, visto que cada vez menos pessoas separam um tempo em seu dia para oferecer ajuda ou fazer algo totalmente sem interesses. Portanto, ainda que essas atividades beneficiem à todos os envolvidos, dificilmente as pessoas se mostram dispostas a realizar algum trabalho comunitário não remunerado.
Ademais, urge a análise da falta de debate como outra causa do problema. Em vista disso, Habermas traz uma contribuição relevante para o tema ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nota-se contudo, que ao se tratar do trabalho voluntário, existe um silenciamento que prejudica a disseminação e impede que mais pessoas se disponibilizem para agir diante dos problemas sociais. Assim, discutir sobre a necessidade de participação coletiva torna-se importante para que as pessoas assumam posições ativas em relação às atividades voluntárias e para que exista uma melhoria nesse quadro.
Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. Logo, cabe às Secretarias de Assistência Social de cada município promover, juntamente com Organizações Não Governamentais, programas de recrutamento de voluntários para as mais diversas tarefas. Esses programas podem ser realizados por meio das redes sociais e cartazes pela cidade, incentivando o público sobre os benefícios de ser um voluntário, além de mostrar os resultados de práticas já realizadas, a fim de disseminar na população o sentimento de compaixão e melhorar, como consequência, a vida de muitas pessoas em situações vulneráveis e que dependem da ajuda de outros.