A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 07/06/2021
Na obra “Utopia” do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas acadêmicas e sociais, analisar seriamente as raízes e frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.
A educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a 13° posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. De acordo com pesquisas do IBGE, o índice de pessoas que já fizeram trabalho voluntário e tem ensino superior completo é 5,1% maior comparado às pessoas analfabetas ou que tem o ensino fundamental incompleto. Diante do exposto, é notável que o nível de escolaridade influência diretamente no número de trabalhadores voluntários.
Ademais, é imperativo ressaltar o egoísmo da população como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, o interesse de fazer trabalho voluntário que deveria ser de conta própria para ajudar quem precisa não acontece, pois grande parcela da sociedade está precisando de empregos que gerem dinheiro para sustentar suas família, e não se interessam em fazer trabalhos que não irão dar-lhes um retorno financeiro. Tudo isso retarda a solução do empecilho, já que o pensamento egoísta da população contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na criação de projetos pedagógicos inclusivos que através deles motivem o empoderamento desse trabalho na sociedade, ensinando aos jovens a importância dessa tarefa tão recompensadora ajudando ao próximo. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do egoísmo e déficit educacional que colaboram com o problema, e a coletividade alcançará a Utopia de More.