A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 09/06/2021

O artigo 6° da Constituição Federal garante diversos direitos sociais, como: saúde, moradia, trabalho, lazer, assistência aos desamparados, entre outros. Entretanto, muitas vezes eles não são colocados em prática e como forma de atenuar as diferenças socioeconômicas a sociedade civil pode se organizar ( ongs, instituições religiosas etc) para esse fim por meio do trabalho voluntário. Apesar dessa importância, esse tipo de atividade ainda é desvalorizado no brasil, seja pela sociedade individualista ou por pouco acesso a educação formal.

Em primeiro lugar, o individualismo tem impactado a prática do voluntariado. Segundo Zygmunt Bauman, a sociedade do consumo produziu uma cultura de indivíduos egocêntricos o que fragiliza as relações humanas. Nesse sentido, já que as ações filantrópicas são feitas de forma altruísta ( sem esperar um retorno), a busca constante por vantagens individuais não só fragiliza o assistencialismo mas também dificulta o engajamento por novos voluntários. Essa visão, diminui a empatia entre os seres humanos que não sentem a necessidade de auxiliar o próximo, o que potencializa as desigualdades sociais no país.

Somado a isso, o baixo grau de escolaridade do brasiliero tende a diminuir o número de adeptos a essa atividade. Segundo dados do IBGE, a taxa de realização é de 2,9% para pessoas sem instrução e de 8% para indivíduos com ensino superior completo. Por meio desse senso é perceptível como a deficiência do sistema educacional impacta no voluntariado. Por causa desses fatores o país ainda apresenta uma conjuntura desfavorável para realização desse movimento.

Portanto, medidas devem ser tomadas para valorizar o trabalho voluntário no Brasil. Por isso, o Ministério da Educação, responsável por políticas públicas voltadas para o desenvolvimento não só intelectual mas também político e social, deve investir na infraestrutura educacional, por meio de treinamento dos professores para a transmissão de valores morais coletivos para os alunos, além de disponibilizar criar projetos para a participação desses jovens em projetos voltados a comunidade. Tendo por objetivo, criar uma cultura menos individualista e que tem o voluntariado em essência. E como consequência futura ter a redução das desigualdades sociais e o auxílio ao estado na garantia dos direitos do artigo 6° da CF.