A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 13/06/2021
Um eu lírico rompendo o silêncio social diante das mazelas que prejudicam a harmonia coletiva. É isso o que se vê na canção “O que se cala” da intérprete Elza Soares. Contudo, essa postura de enfrentamento parece estar restrita a uma composição musical, já que pouco tem sido dito, de fato, sobre a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. Nessa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e sociais que desencadeiam esse quadro.
Em primeiro lugar, entende-se que o caráter republicano do Estado brasileiro tem sido afetado devido à omissão governamental em permitir o menosprezo aos trabalhos voluntários. Isso porque existe uma deficiência, por parte dos órgãos executivos, no processo de investimento financeiro, uma vez que faltam verbas para estimular a criticadade dos alunos em relação ao trabalho voluntário, a exemplo dos benefícios que podem ser adquiridos nessa contribuição. O que, desse modo, prejudica o direito à educação desses cidadãos. Em vista disso, seria possível recorrer aos estudos do filósofo Charles de Montesquieu para esclarecer esse cenário, entende-se que a violação nas garantias legais dos cidadãos é reflexo da deficiência de regulação entre os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).
Ainda, nota-se que falta o engajamento coletivo para que ocorra, de fato, a valorização do trabalho voluntário. Um exemplo disso é a inércia de parte da população em não lutar por assistência, uma vez que falta auxiliar os locais que oferecem atividades sem remuneração, como a divulgação dos tipos de contribuições que podem ser fornecidas. O que, afeta o bem-estar dos cidadãos. Esse fato vem a fortalecer as reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman, já que o pessimismo da modernidade tem exercido influência sobre os cidadãos, fazendo com que aceitem quadros problemáticos.
Cabe, por fim, admitir que a desvalorização do trabalho voluntário deve ser superada. Para isso, é necessário fiscalizar a atuação do Poder Executivo, mediante outros poderes constitucionais, no investimento na reformulação da didática de ensino nas escolas, priorizando conscientizar os alunos dos benefícios dos trabalhos sem fins lucrativos. Além disso, deve haver uma sensibilização populacional, por meio de ONGs, sobre a importância do engajamento coletivo para que ocorra a valorização desse tipo de contribuição, via redes sociais, a fim de diminuir a visão negativa do voluntariado. Desse modo, seria possível que a postura de enfrentamento não se limitasse a uma canção.