A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 10/06/2021

A Constituição brasileira de 1988, conjunto de leis fundamentais do país, defende em seu sexto artigo a assistência aos desamparados. Entretanto, o Estado não cumpre totalmente isso, logo, ações humanitárias são necessárias, contudo, há uma desvalorização desse trabalho voluntário no Brasil. Sobretudo devido a pensamentos equivocados de parte da população que ocorrem devido a falta de atos governamentais eficazes.

Em primeira análise, vale destacar o preconceito das pessoas como motivo da desvalorização de ações humanitárias. Segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria “Habitus”, um comportamento social é visto como banal quando a sua prática é constante. Assim, podemos entender que o pensamento que trabalho voluntário é desnecessário, ou “mordomia”, como é considerado por algumas pessoas, é visto como comum devido à grande frequência que a ideia é repitida.

Em segundo plano, convém lembrar que a falta de intervenção do Estado provoca pensamentos equivocados sobre o trabalho voluntário. De acordo com o contratualista John Locke, em sua tese do “Contrato Social”, é dever do Governo fornecer medidas que certifiquem o bem-estar coletivo, logo, a carência de dados se caracteriza como uma quebra desse contrato visto o descumprimento da Constituição. Assim, fica clara a relação entre a escassez de informações e ineficácia das ações governamentais.

Portanto, entende-se que a falta de reconhecimento do trabalho voluntário ocorre devido à ideias erradas. Logo, cabe ao Ministério da Educação implementar na grade curricular das escolas debates sobre a importância do trabalho voluntário, por meio de um projeto entregue à Câmara de Deputados, para estimular o senso crítico dos jovens, visando uma juventude mais consciente. Além disso, o Governo deve alertar a população sobre a necessidade das ações humanitárias, com campanhas nas mídias sociais, visto o grande alcance de pessoas, para uma sociedade mais informada, assim, cumprindo seu papel no “Contrato Social”.